segunda-feira, 10 de junho de 2013

Jornalista da Bahia compara as praias de Aracaju e Salvador



Feriadão de Corpus Christi em Aracaju e surpreende a quantidade de veículos com placas de Salvador no circuito turístico da cidade. Na garagem do hotel, além do meu carro, um SUV, à direita, e um Fusion, à esquerda, vieram de Salvador. Mas tem Corsa também.
A turma animada que entra no restaurante é daqui, sabe-se logo. Até no aquário do Projeto Tamar se esbarra com a baianada... Mas nós não temos coisa parecida em Arembepe e Praia do Forte? Segundo as estatísticas oficiais, os baianos respondem por 46% do fluxo de turistas para Aracaju. O que estamos procurando tanto na capital sergipana?
Praia por praia, vantagem para Salvador. Ou, não?
O mar lá tem cor de nescau e fica longe pra burro do passeio. Então é isso: a diferença está no passeio. Tem barraca, tem restaurante, tem parquinho, tem ciclovia, tem quadra de esportes, tem muita lixeira em forma de coco e caju, tem iluminação, tem trenzinho e tem segurança. A delegacia do turista fica encravada em plena orla de Atalaia. No meio do calçadão.
Ou seja, ganhamos nos quesitos mar e areia...
Talvez por isso a gente pouco veja soteropolitanos na praia de Sergipe. Nossa turma para logo na primeira marretada ao caranguejo com uma gelada do lado. Geladíssima.
Aracaju exibe, pois, uma civilidade que tem atraído muitos baianos da capital. É uma cidade nordestina, na sua essência, com jeitinho de Salvador de antigamente, mas bem equipada. Muito bem equipada.
Dá para andar pela orla às 10 da noite sem tanto receio. Porque tem um monte de gente fazendo isso também, os bares estão cheios, os restaurantes idem, os hotéis alimentam de turistas o comércio noturno. Todos com atendimento muito além do padrão soteropolitano. Garçom faz contato visual com os clientes, atende rápido, domina o conteúdo do cardápio e sabe o que tem ou não na cozinha na hora em que se faz o pedido.
A todo o momento, nos locais com serviço, alguém pergunta se pode te ajudar.
Eu vi, não me contaram, um motorista dar esporro no outro que vacilou para frear antes da faixa porque um casal – de baianos – se preparava para atravessar a avenida rumo ao Mercado Municipal. “Não tá vendo a faixa, animal?”. Todos riram no fim e o casal foi ao mercado, atravessando pela faixa de pedestres diante de motoristas com uma atitude de alemão ou inglês.
O mercado, aliás, exibe uma oferta de produtos e artesanato que bate a do nosso Mercado Modelo atual. Preço? Nem se fala. Tudo é mais barato. Do vestidinho de caipira para festa junina da filha à cerveja em garrafa na orla de Atalaia na hora do ócio completo.
Outra vez, então: o que o baiano tanto procura em Aracaju? Uma boa explicação me foi dada, na virada do ano, por um taxista soteropolitano recém-chegado do Reveillon na capital sergipana. Dá para resumir assim: é uma mistura de um pouquinho do que Salvador já foi com o que poderá ser, quando, pelo menos na sua orla, puder ter barraca, restaurante, parquinho, ciclovia, quadra de esportes, limpeza, iluminação e segurança.
Aí vai ser a vez do povo de lá - e de todo lugar - vir em peso para cá. Porque praia por praia... é covardia!

Sergio Costa  é diretor de Redação do CORREIO

Um comentário:

Juciara disse...

Bom,gosto das duas, mas....A idade e o tamanho da orla de Salvador e Aracaju,não tem comparação.E existe praias com águas limpas sim!Ou a cor da água também é culpa dos baianos?!
Aracaju está de parabéns.Mas pra ter valor, não precisa de comentários sem noção!