sexta-feira, 21 de junho de 2013

Reinaldo Azevedo

Tempos de barbárie da inteligência – Numa emissora especializada em jornalismo, um “inteliquitual” ataca a PM, que foi agredida, critica um projeto de “cura gay” que não existe e ainda diz que ele trará custos aos cofres públicos

Francisco Carlos Teixeira é professor de história contemporânea da UFRJ. Não sei a que hora estuda. Suponho que, quando não está na universidade, está dando plantão na GloboNews. Teixeira é do tipo que pensa tudo o que lhe dá na telha. Não sei se fui claro. Anteontem, durante a cobertura ao vivo que a emissora fazia dos protestos em São Paulo, quando a fachada da Prefeitura começou a ser atacada por vândalos, ele atribuiu a responsabilidade ao prefeito, Fernando Haddad. Convenham, isso é sacanagem mesmo com petistas, especialistas em acusar inocentes. Seus parceiros de estúdio, a jornalista Leilane Neubarth — que acha normalíssimo alguém subir no teto do Congresso com uma tocha acesa — e um outro professor sei lá do quê, também culparam o prefeito. Então ficamos assim: vagabundo ataca prédio público, mas quem deve apanhar é a autoridade que não baixa a passagem. Tanto essa questão era irrelevante que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, fez o que os manifestantes queriam, e o Rio viveu ontem o mais violento dos dias. Quando o professor Teixeira pensa, não há limites. Ele pode sempre ir mais fundo. Ontem, ele batia um papo com o jornalista Eduardo Grillo sobre as manifestações do dia e os confrontos do Rio. Fez o quê? O de sempre e um pouco mais: voltou a atacar a Policia Militar, agora a do Rio; evitou repreender os vândalos; criticou o discurso dos prefeitos que baixaram a tarifa e inventou um projeto de cura gay que traria custos aos cofres públicos…. Entre as aulas na UFRJ e o plantão na emissora de TV, não deve ter tempo para estudar os temas sobre os quais opina. É irrelevante? Não é, não! Essa gente tem o prestígio conferido a estudiosos e pensadores. Ajuda a formar opinião, especialmente quando fala numa emissora de prestígio.
Teixeira, já percebi, não gosta de polícia — a exemplo da esmagadora maioria dos jornalistas. Até aí, é absurdo, mas é matéria de opinião (sim, falarei a respeito). Mas ele não tem o direito de levar ao ar uma informação falsa numa emissora especializada em jornalismo. Espero que a GloboNews faça a correção. Qual é o ponto? Apareceram ontem, no protesto de Brasília, algumas palavras de ordem contra um suposto projeto que propõe a cura gay. Já demonstrei aqui que isso não existe. É uma mentira cretina de setores da imprensa e do sindicalismo gay. O que há é um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que derruba dois trechos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que simplesmente impõem uma espécie de censura e de patrulha à relação entre psicólogo e paciente. ESSA RESOLUÇÃO, NA FORMA COMO ESTÁ, É UMA ESTROVENGA AUTORITÁRIA QUE NÃO EXISTE EM NENHUMA DEMOCRACIA DO MUNDO. O link vai ali para quem quer mais detalhes. Pois bem.
O professor decidiu ontem ensinar o que os Três Poderes têm de fazer para responder ao povo que está na rua. Pediu, por exemplo, que o país passe a investir, obrigatoriamente, 10% do Orçamento na Educação. Seria bom se houvesse dinheiro. Até os prédios depredados de Brasília sabem que não falta grana ao setor (o segundo maior; só perde para a saúde), mas eficiência. E disse que o Congresso tem é de ser mais responsável. Segundo o valente, é um absurdo que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara tenha aprovado aquele PDL mesmo com o povo na rua. Teixeira fazia crer ser essa uma causa que mobiliza milhões. Mas não era o seu pior. Demonstrando que não tinha a menor noção do que estava falando, que fazia nada além de proselitismo, afirmou que o inexistente “projeto da cura gay” acarretaria custos para os cofres públicos. É uma sandice, um delírio, uma bobagem. Se o PDL for aprovado, o Estado não gastará um centavo. Trata-se apenas de derrubar trecho de uma resolução.
Ontem o homem estava impossível. Parece que seu prestígio cresce junto com as bobagens que diz. Todo mundo que acompanhou a escalada da violência no Rio viu quando manifestantes passaram a atacar a Polícia, não o contrário. Tanto havia a disposição para o confronto que a coisa se estendeu noite afora. Não, senhores! Teixeira não criticou os bandidos. Sugeriu que isso é coisa que acontece mesmo. Ele preferiu criticar a chamada “reação brutal” da Polícia. É um disparate, um despropósito absoluto!
Insaciável, foi adiante. Criticou também o discurso das autoridades que baixaram o preço da tarifa. Ela teriam feito muito mal ao informar que teriam de cortas investimentos, segundo ele. Melhor seria, recomendou, que tornassem as contas mais transparentes, como se isso fizesse brotar dinheiro. E esse pensador moderno seguiu com seus juízos singulares. É a inteligência universitária em timo de barbárie cedendo as suas luzes ao jornalismo.
Por Reinaldo Azevedo

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