sábado, 10 de agosto de 2013

Praça São Francisco: descaso é denunciado

Moradores de São Cristóvão apontam falhas na segurança e limpeza do Patrimônio da Humanidade.
 
Por: Grecy Andrade/ Equipe JC
 
 
 
Localizado no município de São Cristóvão, o conjunto arquitetônico da  Praça São Francisco é um dos mais expressivos remanescentes das edificações coloniais relacionadas à Ordem Franciscana da Igreja Católica. A cidade já é conhecida por ser tombada como Patrimônio Histórico pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan), que tem reconhecido pela Unesco o título de Patrimônio Histórico da Humanidade à  Praça São Francisco. No entanto, moradores do município estão se queixando do abandono, e principalmente da falta de segurança no local. 
 
Para a estudante Mônica Oliveira Santos, os problemas de São Cristóvão não se concentram só na  Praça São Francisco, mas em todo o município. Segundo ela, os constantes assaltos mesmo durante o dia preocupam quem passa pela  Praça. “Aqui está tendo assalto toda hora, seja de dia seja de noite. Muita coisa precisa ser melhorada, a gente não tem nem mais tranquilidade, aqui na  Praça então, ela não é mais a mesma, está perdendo o seu valor por conta do quem tem ocorrido aqui. Até a iluminação voltou um dia desses, mas antes estava tudo escuro por aqui”, disse.
 
A funcionária pública, Aline Barreto, confirmou que a  Praça está num completo abandono. Ela citou o caso de um guia turístico que recentemente atirou em outro na frente de todo mundo. “Aqui não tem organização nenhuma, os guias turísticos andam armados, um até atirou na cabeça de outro. Eles não têm fardamento e nem há um cadastrado, não há controle. Além disso, aqui tem assaltos quase que todos os dias, seja a veículos, seja a residências e visitantes. A Casa do Folclore já foi arrombada e a Biblioteca também”, falou.
 
Foto: Jadilson Simões/ Equipe JC
 
Três funcionárias públicas, que preferiram não se identificar, disseram que os constantes assaltos, em vez de trazer turistas para o município, faz é afastar. “Aqui, em vez de Patrimônio da Humanidade, é ‘patrimônio da bandidagem’. Até um dia desses, as lâmpadas estavam todas queimadas, aí estávamos fechando as porta mais cedo por medo. A cidade está mudada, as pessoas não ficam mais em frente às suas casas, estão fechando as portas cedo, o medo está tomando conta de todos. Falta água, falta segurança, as ruas esburacadas, realmente a cidade está um caos, só não vê isso quem não quer”, afirmaram.
 
O assessor de comunicação da prefeitura de São Cristóvão, Elton Coelho, afirmou que a iluminação da  Praça já havia sido regularizada. A chefe do Escritório Técnico do Iphan em São Cristóvão, Kleckstane Farias, explicou que quando a  Praça São Francisco foi reconhecida como Patrimônio Mundial, ela vem sendo periodicamente avaliada, tanto que a última avaliação da  Praça ocorreu no ano passado. “Um Informe Periódico é enviado para a Unesco. O último foi enviado o ano passado, e provavelmente, o próximo será daqui a cinco anos. Ele é preenchido juntamente com o Governo Federal, Estadual e Municipal, que são os corresponsáveis pelo esse monumento.  No momento de fazer esse Informe Periódico, foram consultados representantes dessas três esferas de poder, que colocam informações sobre segurança, educação patrimonial, estado físico da  Praça, sobre os riscos de perigo dos elementos que mantém a autenticidade da  Praça, se tem algum risco de serem abalados”, explicou.
 
Questionado se pelo fato dos problemas apresentados pelos moradores da área, a  Praça poderia perder o título de Patrimônio da Humanidade, Farias explicou que isso é bem difícil de acontecer – é possível, mas não com tanta facilidade. “A  Praça São Francisco não está a ponto de perder o título de patrimônio mundial, é claro que existem problemas que podem ser identificados, como a circulação de trânsito; falta de cuidados básicos com a iluminação, mas não é por isso que ela pode perder o título. Ela só poderia perder, se os elementos de autenticidade que a fizeram receber o título não existissem mais ou se tivesse algum tipo de catástrofe, como por exemplo, incêndios e enchentes”. 
 
O seu acervo arquitetônico, enquadramento, e da Lei IX das Ordenações Filipinas foram elementos que identificaram a autenticidade da  Praça São Francisco. “Existe ainda a integridade e a expressão cultural. Podemos citar a procissão de Nosso Senhor dos Passos, que é o momento de encontro dessa festividade que acontece na  Praça. Se algum desses elementos correr o risco de desaparecer, aí sim, é que ela poderia fazer parte de uma lista que chama de Patrimônio Mundial em Risco, mas não é só ir para essa lista e ser excluída desse universo. Mas esse não é o caso da  Praça São Francisco”, explica. 
 
Sobre a responsabilidade de realizar reparos caso necessite, Kleckstane Farias explicou que primeiramente essa responsabilidade é atribuída ao município, que recebe fundos para isso. Caso ele não tenha condições de arcar com as reformas, a prefeitura deve solicitar auxílio do governo estadual ou federal. “A primeira responsabilidade é do município, se ele não tiver condições, pode fazer as cobranças necessárias. Se o governo estadual e federal não puderem ajudar, deve-se recorrer à Unesco para intervir. Mas os problemas que ocorrem na  Praça São Francisco hoje tem condições de serem resolvidos internamente ou até na terceira esfera (Governo Federal), existe no município, um fundo chamado de Fundo de Preservação do Patrimônio Cultural, fundo com verbas da prefeitura e também dos financiamentos de imóveis privados feitos na época do programa Monumento”, revelou. 
 
A chefe do escritório técnico do Iphan em São Cristóvão disse ainda que será empossado no dia 23 de agosto, uma comissão denominada de Gestão do Patrimônio Cultural, que será responsável por elaborar um plano de ação para a  Praça São Francisco. “Essa comissão já era uma exigência da Unesco desde a concessão do título à  Praça, mas estávamos articulando como ele seria realizado. Agora, além do escritório do Iphan que já existe lá, agora também teremos mais esse mecanismo. Não podemos esquecer também da sociedade civil, que deve ficar atenta e consciente de que o patrimônio é de todos e que deve atuar como agente preservador”, deixa o alerta.

Fonte:Jornal da cidade

Um comentário:

Henrique Braga disse...

Eu fico cada vez mais indignado com esse IPHAN, que só faz merda e depois joga a sujeira sobre os outros, não assumindo as suas cagadas.
O IPHAN não preservou as “Ladeiras do Porto da Banca e Valter do Prado Franco”, ou seja, ao invés de recompor as pedras faltantes, arrancou as muitas pedras que ainda estavam intactas (originais), encheu as ladeiras de areia branca, misturou as pedras originais com novas, que deveriam ser preservadas.
Com um ano e dois meses de serviços mal feitos, as ladeiras estão se desmanchando literalmente falando, por incompetência daqueles que vivem aparecendo no meio do povo e das mídias, mas que não entendem verdadeiramente o que é conservação e restauração.
Hoje o que nós vemos é uma serie de elementos que descaracterizam e interferem na estética dos nossos monumentos, autorizados pelo próprio IPHAN, como: COLOCAÇAO DOS TAMBURETES DE ANÃO NA PRAÇA SÃO FRANCISCO. FOI FEITA UMA PINTURA (QUE NUNCA EXISTIU) NA LATERL DO PRÓPRIO PRÉDIO DO IPHAN, CASA COLONIAL DE UMA EX-AUTORIDADE QUE FOI DEMOLIDA PARA SER CONTRUIDA UMA CASA MODERNA e IRRESPONSAVELMENTE FOI AUTORIZADA TAMBÉM UM INSTALAÇAO DA TORRE DA CLARO bem no CENTRO HISTÓRICO, área de preservação.
Recentemente o secretario de obras o Sr. Augustinho, iria iniciar a manutenção da praça da bandeira e foi impedido de fazer os reparos , por ser uma área tombada, é pra cair mesmo. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Agora quando vem os problemas, o IPHAN diz que é responsabilidade do Município, Estado etc. Menos do IPHAN, já que eles não têm responsabilidade com muita coisa aqui no município. Será que esse pessoal tem tanta competência assim? É só da uma voltinha no centro Histórico.
Mas o nosso povo e nossas autoridades têm culpa por tudo isso, por não terem atitudes contra esse povo e vivem bajulando, ao invés de lutarem para substituir essa direção que já não dá certo para o município.
Tenho dito.