quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Thiago Fragata

PERIGO NA RODOVIA JOÃO BEBE-AGUA - Não publiquei esta crônica em junho. Tenho um problema sério de tempo para revisar textos, perco o prazo, de cronica então nem é bom falar. Mas aproveitando o susto de hoje nesta bendita rodovia eis a cronica que estava na gaveta:

SURREAL É VIAJAR PELA RODOVIA JOÃO BEBE-ÁGUA

Junho de 2013. Em tempos das manifestações populares ansiosas por melhorias do serviço público, tendo como estopim o custo da passagem do transporte rodoviário, envio minha crônica para que seja anexada aos autos do reclamo. Semana passada, na companhia do meu filho, uma aventura (ou desventura) foi viajar num ônibus que faz a linha São Cristóvão/Aracaju, via Rodovia João Bebe-Água. Lembro bem o número do carro, 311. A pista da citada rodovia é conhecida e igualmente temida pelos mais ajuizados condutores por conta da sinuosidade, falta de acostamento, buracos e animais circulando a beira da pista. Nenhum motorista, aconselho, deve fazer viagem amparado em guia impresso ou placas sob pena da primeira vir a ser a sua última experiência. Feito preâmbulo, passamos a descrição da insólita viagem. Meu filho tem 10 anos, fiz questão de pagar sua tarifa (R$ 2,45 reais), afinal é mais um usuário do transporte “público”, carente deste serviço. Qual serviço? Sentamos no banco do fundo para logo percebermos que toda carenagem vibrava com o deslocamento, num barulho ensurdecedor. A cada quebra-mola, os bancos localizados acima dos pneus subiam. Para minha surpresa, o barulho e os bancos praticamente soltos não provocavam reações nos passageiros. Logo tomei conhecimento que eram das Pedreiras, povoado contemplado com a linha recentemente, constatei aí a conformidade dos usuário perante as mazelas do veículo. Eram senhoras debulhando terço, jovem absorto no fone de ouvido, outro botando som de arrocha no celular para competir com o barulho do ônibus, havia também um senhor cochilando em movimentos bruscos da cabeça que seguia curvas e tombos como batuta nas mãos de maestro. Pela acomodação dos clientes poderia inferir que todos estavam satisfeitos com o serviço de transporte oferecido pela generosa empresa. Será? Imaginemos um fatal acidente, - acidente é geralmente algo imprevisível, o que não é o caso – ocorrido na rodovia João Bebe-Água, na acidentada rodovia. Fora da pista veículo tombaria na íngreme ribanceira ou desfiladeiro parando depois de terrível choque que amassaria carenagem como uma latinha de alumínio de cerveja no pé de catador. Isso para não falar de fogo... Não quero agourar nem a minha nem a experiência da montanha russa dos outros usuários, sim porque a viagem surreal pode muito bem ser comparada a isso. Olhe que este movimento para muitos trabalhadores(as) é pendular, portanto, diário. E os riscos aumentam na mesma proporção das quantidade de vêzes, assim pensam os otimistas. Não vamos esperar uma tragédia para dá um basta no péssimo serviço de transporte oferecido em São Cristóvão, manifestemos então nossa indignação. Todos os dias carros velhos trafegam superlotados, não temos que esperar a manchete batizando-a rodovia da morte. Em nome da vida, pois, venho manifestar indignação e revolta.

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