quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ilha Grande: Projeto ‘Frutos da Ilha’ capacita moradores
Construção de tecnologias sociais de acesso à água
(Foto: Ascom)
Cerca de 55% das cidades brasileiras correm o risco de não manter o atual nível de abastecimento de água já em 2015, segundo estimativa da Agência Nacional de Águas (ANA). As dificuldades relacionadas à captação, uso e tratamento da água têm se tornado um problema nacional, despertando nos órgãos públicos e na sociedade civil a necessidade de criar alternativas para a resolução dos problemas hídricos nas comunidades rurais e áreas urbanas.
Na comunidade pesqueira da Ilha Grande, no município de São Cristóvão, alternativas acessíveis e de baixo custo são implementadas através do projeto “Frutos da Ilha”, contemplado pelo edital Petrobrás Integração Comunidades 2013 e executado pela ONG Sahude (Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico). Através de cursos de capacitação sobre Educação Ambiental, a comunidade local vem aprofundando princípios da permacultura e da agroecologia, visando a construção de tecnologias sociais apropriadas para solucionar ecologicamente dificuldades com o ciclo da água: o círculo de bananeiras e a Bacia de Evapotranspiração (BET), indicadas para o tratamento das águas cinzas (pias e chuveiros) e das águas negras (vasos sanitários).
“O potencial produtivo da Ilha Grande é atualmente limitado por conta de alguns problemas ambientais, mas o principal deles é a dificuldade no acesso à água de qualidade. O ‘Frutos da Ilha’, portanto, é resultado de reflexões coletivas sobre ações conjuntas e integradas que visam a segurança hídrica, a soberania alimentar e o desenvolvimento econômico e sustentável dos moradores da Ilha”, explica o coordenador geral do projeto, Guilherme Belchior.
Segundo a pescadora e agricultora Maria Madalena Santos, há muito tempo a população da Ilha Grande espera por ações que visam a melhoria da produção local. “Muita gente que quer melhorar de vida sai da ilha. Mas e as pessoas que não querem sair? Aqui é o nosso lugar, é onde crescemos e onde gostamos de viver. E não basta ter um lugar pra dormir e plantar, é preciso que a gente tenha melhores condições. Estamos muito felizes por essa oportunidade que acaba de chegar”, afirma Madalena.
Tecnologias Sociais
Na etapa inicial de execução do projeto, já foram realizados cursos de Permacultura, Agroecologia e Segurança Alimentar e Segurança Hídrica junto à comunidade, oportunidades em que foram debatidas possibilidades que envolvem noções de bioconstrução, autonomia produtiva, consumo consciente da água e os impactos ambientais causados pela poluição do rio e dos lençois freáticos. O próximo passo é a realização dos cursos de Saneamento Ecológico para a construção do círculo de bananeiras e da Bacia de Evapotranspiração, que ocorrerão nos dias 21 de fevereiro e 7 de março.
O círculo de bananeiras é utilizado para tratar as águas usadas da casa (pias, tanques e chuveiros), as chamadas águas cinzas, além de beneficiar a produção de bananas em escala humana. “O trabalho começa com a construção de um buraco, em forma de concha, com 1 metro cúbico de volume, preenchido por tocos de madeira, gravetos e palha, que terão a função de filtrar a água. Ao redor do buraco, plantamos mudas de bananeira que farão o trabalho da evaporação da água depositada”, explica Guilherme Belchior.
“Já a Bacia de Evapotranspiração ou “fossa de bananeira” é um sistema fechado de tratamento de águas negras, provenientes da descarga de sanitários convencionais, que não gera nenhum efluente e evita a poluição do solo, das águas superficiais e do lençol freático. Nele, os resíduos humanos são transformados em nutrientes para plantas, e a água só sai por evaporação também com a ajuda de bananeiras, portanto completamente limpa”, complementa o coordenador do projeto.
Ilha Grande
Localizada no estuário do rio Vaza-Barris, a Ilha Grande possui uma população estimada em 70 pessoas, que vivem basicamente da pesca fluvial e pequena agricultura de sobrevivência baseada na produção de mangas. Há cerca de três anos, a comunidade recebeu energia elétrica, mas ainda falta muito para que possua o saneamento básico ideal. Seu único meio de transporte é fluvial entre a Ilha e o continente, o povoado Pedreiras, distante da sede do município sete quilômetros.
Fonte: Ascom Sahude

Fonte: Infonet. com.br

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