segunda-feira, 6 de abril de 2015

Pacientes não aprovam interdição de hospital em Aquidabã
Coren cobra escala de plantões e equipamentos para atendimento
Coren fixa aviso de interdição ética (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)
Com a interdição ética realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren), a Fundação Médica Santa Cecília, na cidade de Aquidabã, está proibida de fazer novos internamentos e os serviços naquela unidade de saúde estarão restritos a atendimento de emergência, segundo esclarecimento da presidente do Coren, Maria Cláudia Tavares de Mattos.
Os pacientes não aprovaram a iniciativa do Coren em realizar a interdição ética e muitos estavam dispostos a implorar de joelhos aos fiscais do Coren. “Deus é mais. Se esse hospital fechar, nós todos vamos morrer. Vamos todos ficar de joelhos e pedir pelo amor de Deus a estes homens para não fecharem este hospital”, desabafou a idosa Maria dos Prazeres Anjos, 70. “Se for para se ajoelhar diante destes homens, eu sou a primeira”, reagiu a lavradora Vânia dos Santos.

O idoso Alexandre Bispo da Mota, 70, fez questão de se aproximar da equipe de reportagem do Portal Infonet no momento da interdição para dizer que a comunidade sofrerá graves consequências com esta medida. “A sorte da população daqui é este hospital” enalteceu o idoso, que ainda trabalha como lavrador. “É nossa única opção. Abaixo de Deus, a nossa sorte está aqui”, ressaltou.

Problemas financeiros
Maria dos Prazes: apelo à oração para impedir interdição
Trata-se de uma unidade de saúde filantrópica mantida pela família do médico João Feitosa de Carvalho, que atua no município há cerca de 22 anos. Durante a inspeção, o médico, que é diretor da Fundação, admitiu dificuldades de ordem financeiras para atender às exigências do Coren, quanto à ampliação do número de enfermeiros para combater o exercício ilegal da profissão e a aquisição de equipamentos indispensáveis para prestação dos serviços de internação e até de urgência.

A equipe do Coren detectou a presença de apenas um enfermeiro contratado para atender à demanda, com técnicos e auxiliares de enfermagem trabalhando sem a supervisão do profissional de nível superior, ausência de muitos equipamentos e materiais para fazer os atendimentos, além da deficiência nos procedimentos de esterilização. “Se um paciente tiver uma parada respiratória aqui dificilmente vai sobreviver”, observou o conselheiro do Coren, Ademir Pimental.
Presidente do Coren se reúne com equipe de enfermagem antes da interdição
João Feitosa e a presidente do Coren: dificuldades financeiras
O médico João Feitosa, diretor da Fundação, recepcionou a equipe do Coren que chegou à unidade acompanhada por policiais federais, designados para dar apoio à inspeção, e observou que está tentando contrair empréstimo junto ao Banco do Nordeste para melhorar a estrutura e adquirir novos equipamentos.

Mas, no momento, ele admite a falta de condições para se adequar às exigências do Coren. “Temos um contrato com a Secretaria de Estado da Saúde no valor de R$ 130 mil para atender 917 pacientes, mas no mês de março atendemos 2.450 pacientes e ainda incluímos a fisioterapia e serviços de laboratório de análises clínicas”, ressaltou o médico. “E ninguém paga a mais para realizar estes procedimentos”, ressaltou.

A presidente do Coren, Maria Cláudia, ouviu os apelos da população e informou que o Conselho não estaria fechando o hospital, mas adotando um procedimento legal para “proteger a comunidade de uma assistência médica de má qualidade”.

Por Cássia Santana

Fonte: infonet.com.br

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