segunda-feira, 11 de maio de 2015

Antonio Samarone

Por que Sergipe? Chegamos ao topo das mortes e estropiações (sequelas) em decorrência dos acidentes com motos. Afastando a hipótese de uma punição divina; estamos colhendo o que plantamos. A mobilidade é regida pela lei da esperteza. Não temos transporte público aceitável, o código de transito é letra morta, ausência de ações preventivas de acidentes, impunidade para os transgressores, incentivo fiscal para o uso das motos (isenção de IPI), no caso de Sergipe, a conveniência eleitoral isentou o ICMS; uma parte da frota (shinerays) não é licenciada, leniência cultural para o problema, entre outros.
Morrer de acidente no trânsito é visto com naturalidade, quase como inevitável ou como um justo tributo que se paga ao desenvolvimento. Diante de uma epidemia de causa conhecida, todas evitáveis, uma epidemia que dizima nossa juventude; o poder público investe no aumento de leitos, em abrir vagas nas UTI, reforçar os serviços de fisioterapia e aumentar o estoque de cadeiras de rodas.
Estamos diante de uma estupidez incentivada, promovida e facilitada pelo Poder Público. Um terreno fértil; pessoas que desceram do burro e subiram na moto, deslumbradas com a tecnologia das máquinas e com a liberdade do ir e vir, com sonho atávico da velocidade rescendido; e sem opções de transporte descente e seguro, a desgraça torna-se inevitável.

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