sábado, 16 de maio de 2015

Prefeita de São Cristóvão condiciona pagamento do piso salarial a retirada de processos judiciais que os professores movem contra o município.


Dezenas  de professores das escolas municipais de São Cristóvão fizeram uma nova caminhada pelas  ruas da cidade na manhã desta sexta-feira (15). A marcha saiu da frente da sede do Fórum  Desembargador  Gilson  Goes Soares e seguiu  em direção à Secretaria de Educação  por volta das 9 horas. Carregando bandeiras e faixas , os professores e pais de alunos protestaram contra as ações da prefeita Rivanda Batalha e do secretario de educação Mario Jorge de Oliveira Silva.
Professores  informam os problemas a população

Os educadores e manifestantes reivindicavam a revogação do Decreto 78/2013 (que reduziu entre 40 e 50% os salários dos professores) e a reposição dos valores que recebiam antes dessa medida,  reajuste de  13,01% (índice de reajuste do piso nacional do magistério  em 2015) e  melhoria na qualidade da merenda do município. Segundo os manifestantes  os alunos portadores de necessidades especiais, embora matriculados só estão sendo atendidos 2 vezes na semana, restando 3 dias sem nenhuma atividade pedagógica.

Fechamento de turmas e problemas no transporte

Os educadores destacaram ainda que várias turmas noturnas da Educação de Jovens e Adultos foram fechadas e os alunos remanejados para outras escolas, mais a prefeitura não oferece transporte para esses alunos, foi citado como exemplo os alunos  da EMEF Ruth Dulce de Almeida no Povoado Barreiros que   foram remanejados para a Escola Matinho Bravo no Rosa Elze e Escola Maria de Lourdes Gomes no Tijuquinha, os sindicalistas acreditam que a medida foi efetuada para cortar gastos, no entanto os estudantes, entre os quais trabalhadores e trabalhadoras domésticos e da construção civil, não estão recebendo o transporte regularmente o que tem impedido os alunos de frequentar as aulas que passaram a ser mais distante de casa.

Negociação

Apesar de ter aberto negociação com a categoria, as promessas da prefeita  ainda são vistas com desconfiança pela base do Sintese no município. A prefeitura apresentou uma proposta em que condiciona o pagamento do piso nacional que é uma lei, e portanto deve ser cumprido, a retirada dos processos que assessoria jurídica do Síntese move contra o município para reaver os salários que foram reduzidos quase a metade em 2013. Por essa proposta seria pago o reajuste de 13,01% do piso salarial, e mais  2%  que seriam a recomposição salarial com vistas a recuperar o salário que os professores recebiam antes da gestão de Rivanda Batalha.  Com essa proposta os professores de São Cristovão levariam 25 anos para reaver o valor do  salário que recebiam em 2012.
Roberto Cabrini entrevista manifestantes

"A prefeita condiciona o reajuste do piso ao arquivamento dos processos e fechou os canais de negociação de forma que nós estamos realizando atos para que possamos entrar em um entendimento, aguardamos que a categoria dos  professores sejam chamados para uma audiência, uma reunião para abrir o diálogo novamente, pois o professorado rejeitou por unanimidade em Assembléia a proposta da prefeita" afirmou a delegada sindical Ozair Santos.   

A manifestação foi acompanhada pelo jornalista Roberto Cabrini que esteve na cidade realizando uma reportagem de cerca de 40 minutos de duração contando um pouco do drama da educação no município e que vai ao ar no Programa Conexão Repórter do SBT.

Por Mário Santos

Fonte: Primeira Capital

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