domingo, 27 de novembro de 2016

Adailton Andrade, o historiador de São Cristóvão

HOSPÍCIO DOS   FRADES MENORES CAPUCHINHOS EM SÃO CRISTÓVÃO/SE, HISTÓRIA E  PATRIMÔNIO CULTURAL

Em São Cristóvão encontramos em frente a praça da bandeira,  uma ruina de uma igreja só a frente ainda em pé e um casario antigo, que pouco se sabe a respeito, as informações que se dar que foi ali uma residência religiosa, um sobrado e uma igreja hoje em ruinas. Ambos datados meados do sec. XVIII para o XIX, daí perguntamos o que foi aquela ruina  no passado? E o que representa hoje para a memoria religiosa e cultural  de Sergipe? As pesquisas apontaram para um centro religioso, um hospício,  um centro de ensino religioso que dali saíram as missões de catequese para o sertão sergipano. A história documental dos frades Capuchinhos existe desde as primeiras missões desses frades, especialmente o Frei Martinho de Nantes, que marca os primeiros registros manuscritos dessas Missões . O arquivo pertence ao Centro de Documentação e Memória da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos da Região da Bahia e Sergipe e abriga documentos manuscritos do século XVII ao século XXI.
Frei Martinho recebeu a missão de ir para a capital da Bahia, conforme um alvará de D. Pedro, príncipe regente de Portugal, datado de 11/12/1679, para dar início à construção do “Hospice” de Nossa Senhora da Piedade, futura residência missionária dos capuchinhos da Bahia. Esta primeira construção terminou aproximadamente em 1686.  Em 1700 encerra-se esta primeira etapa na nossa história com a expulsão dos capuchinhos franceses do nosso país por questões políticas. O vazio deixado pela saída dos capuchinhos franceses foi por pouco tempo, uma vez que as missões da Bahia voltam a ser entregues aos capuchinhos - desta vez italianos – em 1705, pela Congregação da Propaganda Fide. E, assim, o decreto datado de 26/01/1705 entrega o “Hospice” de Nossa Senhora da Piedade para os frades capuchinhos italianos. Neste grupo inicial haviam frades provenientes de várias províncias italianas.
 A história documental dos frades Capuchinhos existe desde as primeiras missões desses frades, especialmente o Frei Martinho de Nantes, que marca os primeiros registros manuscritos dessas Missões . O arquivo pertence ao Centro de Documentação e Memória da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos da Região da Bahia e Sergipe e abriga documentos manuscritos do século XVII ao século XXI.
O Antigo convento dos capuchinhos, construído pelos frades Capuchinhos no século IXX, sua igreja foi demolida, restando apenas a estrutura mural da fachada. A ordem dos Frades Menores Capuchinhos se constitui em uma das três famílias franciscanas, compostas também pelos Frades Menores da Observância e os Frades Menores Conventuais. Surgiu como uma reforma dentro da Ordem Franciscana que objetivava, principalmente, voltar ao estilo da vida de São Francisco de Assis, através de uma vida de pobreza, da pregação itinerante e da forma franciscano primitiva de se vestir. As sandálias dos Capuchinhos deixaram suas primeiras marcas no Brasil a partir do século XVI, com a vinda dos missionários franceses que aportaram no Maranhão. Vindos com a expedição francesa de Daniel de la Touche , foram expulsos por não obedecerem a Lei do Padroado. Anos depois, foram mandados novos capuchinhos franceses vindos com os holandeses para a catequização dos nativos em Pernambuco. Contudo, em 1654, houve a expulsão dos Holandeses e com eles toda sua comitiva, incluindo os religiosos. Entretanto, os frades embrenharam-se para a região sertaneja, sendo encontrados e expulsos anos mais tarde.
Para substituir as escolas jesuíticas fechadas pela Reforma Pombalina, o governo foi recrutando, como podia frades e monges de diversas ordens religiosas entre elas os franciscanos, carmelitas, beneditinos e capuchinhos. Identificando, pois, a presença destes em algumas cidades sergipanas, avaliar a atuação dos religiosos, as condições sociais das comunidades aos quais os acolheram e o motivo da sua vinda. As missões não pararam por aí, existem vestígios das pegadas capuchinhas em 1841 na cidade de São Cristóvão, foi  construído  um hospício e de uma capela sendo o responsável pela obra o frei   Cândido de Taggia . Em 1844 o governador da província autorizava a construção do seu hospício, nome dado ao convento naquela época, a sua construção foi confiada a Frei Candido de Taggia, que ao mesmo tempo da construção passou a residir em São Cristóvão, também junto com o hospício foi erguida uma capela que foi determinados como templo principal do senhor das misericórdias ou São Gonçalo que teria  um subordinação administrativa de um vice prefeito que também teria sujeição ao prefeito da Bahia. O hospício dos Capuchinhos, empregando-se muito proveitosamente no exercício das missões, que todos os anos vão dar em diferentes freguesias da diocese, até nos altos sertões e no Estado de Sergipe.
Outro fator importante a esta ordem é o aspecto singular de terem sido os capuchinhos os pioneiros das chamadas missões ambulantes, este fato permitia que os religiosos estivessem mais perto do povo humilde, ensinando-lhes a doutrina e dando-lhes assistência espiritual outro ponto que deve ser destacado encontra-se nas missões capuchinhas no desenvolvimento da história dos Municípios de Sergipe, já que cooperaram no processo de catequização dos índios, no desenvolvimento e fundação de uma cidade. Não podemos deixar de citar a influência das atividades missionárias para a contribuição de uma história da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e solos sergipanos em 1705, o Estado viu-se forçado pela necessidade de autorizar a vinda de outros capuchinhos desta vez italianos para dar assistência prioritária aos índios através das missões de aldeamento. Quando falamos em Hospício nos dias de hoje, associamos ao um lugar de doidos, de loucos, mas naquela época hospícios era um lugar de hospedaria onde os frades capuchinhos italianos se organizavam para as missões de evangelização, eles também faziam reuniões estrategistas para a evangelização partindo dalí a missão pelo sertão nordestino. Sabemos muito pouco das atividades dos Frades Capuchinhos em São Cristóvão, temos conhecimento de uma lei publicada em 08 de março de 1841 que autorizava a construção e ditava ordens gerencias administrativas, esta mesma Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, principalmente no tocante de Sergipe.
Em são Cristóvão tudo começou com três frades religiosos iniciando a construção do hospício e dando inicio a catequese no interior da província. O complexo da igreja e o hospício ficaram prontos e foram inaugurados no final dos anos de 1846, também os capuchinhos passaram a usar o hospício como um grande centro cultural, além das atividades religiosas. Exatamente a 1863 anos foi erguido um centro religioso moderno para sua época, mesmo com a imagem que construímos dos capuchinhos, vida simples votos de pobreza, era uma grande obra para o seu tempo, que dalí saiam as comissões para o evangelismo, os frades capuchinhos, também usavam para outros fins educacionais e culturais o recinto.
Hoje reside uma família que já se vão quatro gerações, a igreja o que resta é à frente, recentemente reformada pelo IPHAN, mas o sobrado não foi reformado, o proprietário que aos poucos vem conservando e pretende transformar em uma pousada, dar um sentido ao que restou e preservar a memória cultural religiosa dos frades Capuchinhos que ali viveram. Mas um monumento histórico religioso pede proteção, pede conservação.

( Acervo  das  fotos : https://www.flickr.com/photos/adilson_aracaju/4670000069 )


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