quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Entrevista Com Prefeito Eleito de São Cristóvão, Marcos Santana

Entrevista – Marcos Santana – Prefeito eleito de São Cristóvão


“São Cristóvão teve administrações desastrosas”


MAX AUGUSTODa Equipe JC

Eleito com quase 12 mil votos, Marcos Santana (PMDB) foi eleito para comandar o município de São Cristóvão a partir de janeiro do próximo ano. Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE Ele diz que apresentou um programa de governo compatível com o momento econômico do país e que uma das suas primeiras medidas será realizar uma reforma administrativa para deixar a máquina enxuta, funcional e moderna. Marcos ainda informou que vai solicitar ao Tribunal de Contas do Estado uma inspeção em todos os órgãos e secretarias do município. Leia a seguir.
marcos
JORNAL DA CIDADE – O senhor enfrentou uma eleição com outros sete candidatos e obteve uma votação expressiva. A que atribui isso?
Marcos Santana – O município de São Cristóvão passou nos últimos dez anos por administrações municipais desastrosas e que contribuíram de forma significativa para que a população passasse a dar um índice baixíssimo de credibilidade aos seus dirigentes que tinham como características o fato de serem políticos sem nenhuma experiência administrativa. Nós formamos uma chapa que mescla a jovialidade e a maturidade dos candidatos a vice e a prefeito, respectivamente, aliado ao fato de que ambos tiveram experiências de gestão bastante exitosas. Aliado a isso nós oferecemos à nossa população um programa de governo que levou em consideração o atual contexto político e econômico do país e do estado, com propostas que não são mirabolantes e perfeitamente exequíveis. Acredito que estes foram os principais fatores que nos levaram à vitória em dois de outubro.

JC – Quais são seus principais planos para a prefeitura de São Cristóvão? Qual será o seu primeiro ato quando assumir a prefeitura, em janeiro?
MS – O nosso programa de governo está ancorado em duas grandes colunas que nortearão a nossa administração: transparência e gestão participativa. Portanto, a primeira medida será dotar a municipalidade do arcabouço jurídico necessário para tornar operacional a nossa proposta. Dessa forma, pretendo contar com a parceria do parlamento municipal no sentido de se fazer aprovar uma reforma administrativa que garanta uma máquina administrativa enxuta, funcional e moderna para que tenhamos agilidade nas ações do governo. Além disso, precisaremos adotar medidas que garantam ao nosso povo os serviços básicos como postos de saúde funcionando e o fornecimento de água na sede do município. Cito estes dois exemplos que hoje faltam com regularidade.

JC – O município enfrenta muitos problemas, principalmente de gestão? O que será feito para colocar a administração nos eixos?
MS – O Brasil vive uma grave crise política e econômica e Sergipe e São Cristóvão estão também inseridos neste contexto. Portanto é necessário que sejamos responsáveis no trato da coisa pública. Eu fui eleito com uma proposta que dizia ser diferente e é a esta proposta que seremos fiéis. Teremos um primeiro ano de administração de bastante dificuldades e seremos responsáveis e tomaremos medidas austeras e nem sempre populares. Vamos cortar gastos prescindíveis; reduziremos o tamanho da máquina sem que isso signifique prejuízo para os serviços públicos que a nossa população necessita e para os quais paga impostos. Usaremos de muita criatividade e buscaremos parcerias.

JC – Há poucos dias os servidores da saúde entraram em greve e saíram do movimento sem diálogo com a Prefeitura. Isso não foi um caso isolado, houve muitas greves, muitas paralisações. Qual será a sua postura diante dos funcionários e das reivindicações deles?
MS – O Servidor é peça fundamental na nossa proposta de governo e a eles deverei ter toda a atenção para que sejam valorizados e estejam sempre estimulados e motivados para a prestação do seu múnus: servir ao Povo. Vamos ter sempre um canal de diálogo com o Servidor Público Municipal. Queremos atender às suas demandas. Contudo, neste momento inicial, precisarei ter, e sei que terei, a compreensão deles para as demandas mais prioritárias da nossa gente. Fui eleito com quase 12 mil votos. Serei o prefeito de 85 mil habitantes desta terra de João Bebe Água. Terei sempre em mente as necessidades da maioria, sem perder de vista os reclames dos nossos servidores. Queremos pagar salários decentes, mas sobretudo, queremos pagar salários no dia determinado. Teremos um calendário de pagamentos de salários que será cumprido.

JC – O senhor tem ideia de como estará recebendo o município, financeiramente? Qual é a atual situação?
MS – O que sabemos é o que é possível acompanhar nas fontes de consultas existentes: TCE, Banco Central, etc. Estamos tentando ter acesso às informações, mas ainda não conseguimos. Protocolamos ofício pedindo a formação do Gabinete de Transição e estamos aguardando que o Prefeito Jorge Eduardo emita os documentos legais de nomeação. A resolução 301/2016 do TCE estabelece que comuniquemos os nomes dos componentes da equipe até 31/10/2016. Com o acesso aos documentos oficiais da prefeitura, esperamos saber qual a atuação situação financeira do município.

JC – São Cristóvão é uma bonita cidade, com muitos pontos turísticos. Quais seus planos para alavancar o turismo na cidade?
MS – São Cristóvão tem potencial para três tipos de turismo e nenhum dos três, na minha avaliação, ainda são explorados em plenitude. O primeiro deles é turismo cultural que compreende as atividades turísticas relacionadas à contemplação do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais. Este é o mais usualmente ofertado em nossa cidade. O segundo é o turismo religioso que se configura pelas atividades turísticas decorrentes da busca espiritual e da prática religiosa em espaços e eventos relacionados às religiões. O terceiro e menos conhecido do público externo é ecoturismo. Esta é uma atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista. São Cristóvão tem no estuário do Rio Vaza Barris um potencial significativo deste tipo de turismo e em nada ainda explorado. Ao Estado, em seu sentido amplo, não cabe mais, como acontecia até a década de oitenta do século anterior, o papel de investidor em turismo. Em nossa administração o município será o catalizador de investimentos privados para a exploração das atividades turísticas em São Cristóvão. É necessário que exista uma infraestrutura mínima que permita ao empresário o necessário para que seu investimento tenha retorno. Vamos criar as condições que o investidor desta atividade precisa para aportar recursos.

JC – O TCE suspendeu a licitação feita agora no final do mandato do atual prefeito, que visava contratar uma PPP para realizar serviços de iluminação por 35 anos. Como recebeu esta decisão?
MS – Recebi com muita alegria e fiquei bastante aliviado. Eu entendo que a Parceria Público Privada é uma ferramenta ainda nova e pouco utilizada, mas é algo que não pode ser descartado como ferramenta na administração pública. O que nos preocupava era o fato de não termos conhecimento das bases em que o edital foi construído. Com a suspensão ganhamos a possibilidade de fazer o procedimento, se viermos a decidir sobre ele, da forma mais transparente possível e garantir que a lisura necessária para que o resultado não seja lesivo aos cofres públicos.

JC – A eleição de Edvaldo nogueira foi bom para São Cristóvão? O senhor pretende conversar sobre ações conjuntas para os dois municípios? Quais?
MS – A vitória de Edvaldo foi importante sobre vários aspectos. O primeiro deles é o aspecto administrativo que permitirá um diálogo mais fluente entre os administradores das duas cidades vizinhas. Na área de conurbação entre São Cristóvão e Aracaju há problemas que só são possíveis de serem resolvidos de forma harmoniosa de forma conjunta. Um desses principais problemas é o transporte intermunicipal. Nós vamos sim procurar Edvaldo para buscar soluções e ações conjuntas que possibilitem a solução desses problemas. Sem falar que o Consórcio Intermunicipal já criado em 2015 e cuja participação de São Cristóvão já foi ratificada pela Câmara de Vereadores de São Cristóvão, será a principal ferramenta para solucionarmos este grave problema.

JC – Tivemos uma grave denúncia em relação à merenda escolar em São Cristóvão, que culminou com a renúncia de uma prefeita. Mas ninguém foi punido até agora. O senhor pretende apurar essa questão?
MS – A apuração das denúncias de manipulação de processos licitatórios no município de São Cristóvão deve estar sendo apurada pelas autoridades policiais. O que pretendemos é acompanhar e colaborar para que os procedimentos de apuração tenham celeridade e os culpados sejam severamente punidos.

JC – O senhor pretende apurar e auditar os contratos que estão em vigor? Pensa em suspender algum, que o senhor visualiza hoje como caro ou com indício de corrupção?
MS – É obrigação de qualquer gestor que assuma um governo se acercar da existência e do teor dos contratos em vigor. Não fazer isso é prevaricar. Isso será feito, independentemente de existir ou não indícios de irregularidades. O que pretendemos fazer para demarcar o início da nossa gestão e final da atual, é solicitar do Tribunal de Contas do Estado uma inspeção em todos os órgãos e secretarias do município.

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