Alegoria da Batalha de Lepanto (1571), pelas mãos do mestre Paolo Veronese. Os europeus tinham o contumaz hábito de enfiar figuras sacra...
Alegoria da Batalha de Lepanto (1571), pelas mãos do mestre Paolo Veronese. Os europeus tinham o contumaz hábito de enfiar figuras sacras cristãs nas suas brigas. O original do quadro encontra-se nas Gallerie dell’Accademia em Veneza (Italia)
Sabia que essa imagem tem relação com a conquista de São Cristovão, tudo por conta da união ibérica, São Cristovão não foi uma conquista portuguesa de fato, mas sim espanhola,
.
Como surge a cidade de São Cristóvão
Estamos nos idos de 1590, quando Cristóvão de Barros foi enviado pela coroa portuguesa a estas terras para chacinar os indígenas resistentes.
Ele já era um notório escravizador de índios, que já havia feito das suas no Rio de Janeiro na década de 1560 após ajudar na expulsão dos franceses. Os franceses, vocês talvez se recordem, haviam invadido aquele espaço e feito ali sua França Antártica, que teria fim nas famosas batalhas com o líder indígena Araribóia e outros na Baía de Guanabara.
Cristóvão ali se tornaria senhor de engenho e líder de entradas (expedições oficiais) na exploração portuguesa do Brasil. É um destes curiosos personagens de época da nossa História. Em 1587, viria a Salvador repelir corsários ingleses que tentavam saquear a então capital da colônia portuguesa.
Não demorou a, entre 1589 e 1590, ele ser escolhido para chefiar a expedição militar a dizimar os índios nas vizinhanças da foz do Rio São Francisco — que hoje faz a divisa entre Sergipe e Alagoas. A sul, havia os Tupinambá do Cacique Serigy. A norte do rio São Francisco, os Caetés que em 1556 já haviam devorado, junto com o bispo Dom Pero Fernandes Sardinha, o seu pai Antônio Cardoso de Barros.
Em 1589, Cristóvão traz as tropas a fechar este “vazio geopolítico” que aqui existia, na visão dos europeus, entre Olinda mais a norte e Salvador mais a sul, e que expunha o território colonial a invasores, sobretudo com a entrada para o Rio São Francisco ali.
Era preciso derrotar o audaz Cacique Serigy, que segundo dizem já liderava seus índios em resistência há 30 anos. Não resistiram, porém, ao poder de fogo europeu e foram dizimados. Embora contassem com algumas armas de fogo trocadas em escambo com os franceses (que já tinham seus olhos aqui), os ibéricos mobilizaram toda uma esquadra de guerra para ocupar a região.
Fizeram-no. A 1º de janeiro de 1590, fundava-se esta cidade de São Cristóvão.
Curiosamente, dizem que a alcunha da cidade não se deve ao santo, nem a Cristóvão de Barros ele próprio, mas a Dom Cristóvão de Moura, o preposto do rei espanhol Filipe II em Portugal nesta época. Lembrai-vos de que em 1580 Portugal perdeu sua independência e entrou na União Ibérica que duraria até 1640.
Esta foi, portanto, pode-se dizer que uma conquista espanhola. Em tais honras, dedica-se a igreja matriz a Nossa Senhora da Vitória, uma alcunha instituída pelo Papa Pio V há pouco em 1571, quando da vitória da esquadra espanhola e veneziana sobre os turcos otomanos no Mar Mediterrâneo na famosa Batalha de Leopanto, Sergipe, aqui, oferecia-lhe então uma correspondente brasileira contra os índios. Veja você.
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