Gois de papel
A folia do Barão
O festejo de Momo em 1912, no Rio, não foi igual ao de outros carnavais. Pela primeira vez, a folia foi adiada, por causa da comoção nacional provocada, há exatos 100 anos, pela a morte do Barão do Rio Branco, herói da pátria.
O Barão, diplomata-estadista a quem o Brasil deve o desenho atual do nosso mapa, foi um homem discreto e solene. Mas, na juventude, Juca Paranhos, como era conhecido (seu nome de batismo era José Maria da Silva Paranhos Júnior), foi protagonista de várias aventuras amorosas, conta a historiadora Mary Del Priore.
— Aos 28 anos, Juca conheceu a atriz belga Marie Philomène Stevens, bela e franzina morena de olhos negros, no Alcazar, casa de espetáculos que animava as noites da corte. Ali, ela fazia números ligeiros, alguns de pose plastique com uma pluma.
Segundo a historiadora, autora, entre outros livros, de “Historias íntimas”, sobre sexualidade e erotismo na História do Brasil, o que deveria ser uma ligação passageira virou paixão avassaladora: “Inconformado com a ligação conhecida de tout Rio, $pai, o famoso Visconde do Rio Branco, senador do Império, o incitava a ir para a Europa.”
Só que a vida galante, prossegue Mary Del Priore, atrapalhava os planos profissionais do futuro Barão. “Muito conservadores, o imperador e a princesa Isabel demonstravam má vontade com sua indicação para um posto no estrangeiro. Finalmente, em maio de 1876, saiu sua nomeação para Liverpool. Na Europa, Juca mantinha mulher e filhos, mas não recebia em casa. Tinha uma vida familiar secreta. Era conhecido como vieux garçon, ou seja, um solteirão. Seu pai visitava o filho, mas ignorava os netos.”
Juca só se casou com Philomène em 1888, depois de receber o título de Barão do Rio Branco. Ela morreu em 1898, e ele, em 1912. O casal teve cinco filhos: Raul, Clotilde, Hortênsia, Paulo e Amélia. Raul, que seguiu a carreira de diplomata, foi o primeiro brasileiro eleito para o Comitê Olímpico Internacional. Já Paulo foi o primeiro jogador brasileiro de rugby com fama internacional. Mas aí são outras histórias.
Fonte:Ancelmo.com
Comentários
Postar um comentário