Blog do Claudio Nunes 15/03/2012

Da “taboca” do aterro da Torre
Documentos mostram irregularidades

Na última terça-feira, 13, na AL, o deputado Augusto Bezerra fez um discurso com uma série denúncia envolvendo o aterro do município Socorro que a empresa Torre pretende implantar no povoado Taboca. O blog preferiu ir em busca de toda documentação para fazer a análise deixando de lado os interesses eleitorais que existem quando o assunto é tocado por algum político.

Dois lotes da Prefeitura - Além da questão do lençol freático da área, que fica próxima a reserva do Ibura (naquela época o promotor do MPF, Paulo Jacobina barrou a intenção da implantação do aterro), um dado levantado pelo deputado e constatado pelo blog basta para anular todo o processo e encaminhá-lo para a área da polícia: o terreno apresentado pela empresa Torre só é de sua propriedade uma parte, a outra é da Prefeitura de Socorro, conforme documentos apresentados. Dois lotes foram comprados a Fundação Manoel Cruz, na administração do prefeito Antônio da Paixão, o Tonho da Caixa.

Zona Urbana – Outro dado concreto para anular qualquer tentativa de aterro é que a zona não é rural, mas urbana conforme a documentação e o loteamento estabelecido na época.

Certidão falsa – O dado mais alarmante, denunciado pelo deputado, diz respeito a uma Certidão falsa apresentada pela empresa Torre como se fosse dona do terreno. Neste caso, pelo documento recebido pelo blog, o cartório do 1º Ofício tem que se pronunciar sobre a escritura pública de compra e venda emitida. E no próprio cartório tem outra certidão, comprovando que dois lotes são da Prefeitura Municipal de Socorro.

Não só a Adema, mas o Ministério Público Estadual, devem adotar as devidas providências com estes novos fatos que colocam por terra qualquer defesa para implantação do aterro sanitário no local.

A Adema, por exemplo, deve rever a situação da área: primeiro que não é uma área rural, é urbana, conforme a escritura e depois que a empresa apresentou uma área que não é totalmente sua e sim também tem como dona o Poder Público, através da Prefeitura Municipal.

E mais, a Associação de Moradores da Taboca que vai ingressar com uma Ação Pública com base nesta documentação tem também que acionar a polícia para investigar como foi fraudada a documentação de posse do terreno.

E sobre a “taboca” da Torre. Taboca tem vários significados, como bambu, taquara, cano, buraco e outros. Mas quem é mais velho e principalmente do interior sabe que a palavra “taboca” também foi usado nas festas, principalmente juninas, quando alguém chamava uma moça para dançar e recebia uma negativa. “Fulano levou uma taboca de...”

Neste caso do aterro está mais do que claro que a empresa vai levar uma grande “taboca” da Justiça e dos órgãos envolvidos no caso.

Lixo de São Cristovão I
A empresa Torre é a mesma que no mês passado, através de uma decisão do juiz Manoel Costa Neto,da Comarca de São Cristovão, ao lado do prefeito Alex Rocha, foi condenada. A história do lixo em São Cristovão nos últimos anos é longa e será contada neste espaço por etapa. Começou com Carlos Umbauba, passou por Jadiel e Alex Rocha.

Lixo de São Cristovão II
Um verdadeiro jogo de interesses. O certo é que a Justiça descobriu que a empresa estava prestes a firmar um contrato com Alex Rocha para receber os atrasados que já tinha recebido na época do vereador Jadiel. Até uma licitação que foi feita corretamente na primeira gestão de Alex, cuja vitoriosa foi outra empresa, anos depois foi ignorada pelo mesmo prefeito. A Prefeitura não enviou ao MP a documentação da licitação para imputar responsabilidade a outra empresa. Tudo foi descoberto e a sentença do juiz julgou improcedente o pedido de condenação da outra empresa.

Direto da redação

Direto da redação

Jornalista e colaborador do portal, cobre as principais notícias do dia.

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