Há 50 anos 7 de outubro de 1962

Tempos de cólera


Hoje faz exatamente 50 anos das eleições gerais de 7 de outubro de 1962, também um domingo, em plena fase parlamentarista do governo Jango.

Leonel Brizola, lembra o historiador Israel Beloch, foi eleito deputado federal pelo Rio (então Estado da Guanabara) com 269 mil sufrágios, como então se dizia, maior votação de um parlamentar até aquele momento da nossa história (veja acima a foto de um comício daqueles dias com a imagem de Brizola num galhardete em primeiro plano). “Insuflado por esse sucesso, Brizola criaria, nos meses seguintes, muitos desafios para o presidente, forçando a radicalização do processo, até o golpe de 1964.” Em 1963, Brizola criou, por exemplo, os “Grupos dos 11”, espécie de versão cabocla da Guarda Vermelha da Revolução de 1917, na Rússia.

O PCB, na ilegalidade, ajudou a eleger vários candidatos, como Sinval Palmeira, deputado estadual pelo PST. Palmeira era próspero advogado e produtor rural, amigo de Prestes, e avô do querido ator Marcos Palmeira. Com o apoio das chamadas forças progressistas, também foram eleitos Miguel Arraes, governador de Pernambuco, e Seixas Dória, governador de Sergipe.

Assim como a esquerda, a direita estava “armada” até os dentes. Em São Paulo, foi eleito Ademar de Barros. Na Guanabara e em Minas, não houve eleição para governador: Carlos Lacerda e Magalhães Pinto haviam sido eleitos em 1960. Com apoio da CIA, foi criado o Instituto Brasileiro de Ação Democrática, uma ONG anticomunista. Já o cardeal Dom Jayme de Barros Câmara divulgou nota na véspera da eleição, em que, “por Deus, pelo Brasil, pela democracia”, conclamava os eleitores a não votarem em candidatos ligados aos comunistas.

Como conclui Israel Beloch, “estava armado o cenário para o golpe de 1964, um ano e meio depois”.

Fonte:Ancelmo.com
Direto da redação

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Jornalista e colaborador do portal, cobre as principais notícias do dia.

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