O NATAL EM SÃO CRISTOVÃO

Os Natais de São Cristóvão, tinha o seu ponto central na praça da matriz, isso da década de 50 a te inicio de 90. 

A praça ficava cheia de jovens, que queriam ver, e ser vistos, uma espécie de redes sociais da época, o serviço de alto-falante que tinha um poste no meio da praça, de sr. Zeca Alfaiate, fazia a festa da moçada, com musicas românticas, a tocar a toda hora, e atendendo os pedidos, mas com uma discografia limitada, não dava para atender a todos, mas satisfazia a maioria, o que era importante.

O natal dessa época tinha algumas figuras que ajudaram a construir o clima natalino na cidade, a exemplo de João Pirulito, um homem alto, com uma barriga avantajada que fazia o papel de papai Noel, o João tinha um problema na coluna cervical, que não virava o pescoço quando lhe chamavam, ele virava o corpo todo para responder a um a qualquer um que falasse com ele.

O João Pirulito se vestia de papai Noel, e ficava em um cercadinho que era construído no meio da praça, cheio de presentes, doados por Walter Franco, que era irmão do ex-governador Augusto Franco, e que gostava de ver a criançada feliz, que em uma época de poucas opções em brinquedos, ganhar brinquedo era uma maravilha.

O papai Noel, tinha a maior satisfação em fazer esse papel, ele morava na hoje rua Cel. Erundino Prado, gostava de jogar um bom domino na calçada de casa, naquela época, pouco movimento, praticamente Jogava no meio da rua.

Outra figura que marcou época foi Sr Juca Das Patinhas, que tinha um carrossel de patinhas, os famosos barcos voadores, e as cadeirinhas, pronto a festa era completa.

Com o tempo os barcos foram vendidos a Sr Zezé, mais ai a historia é outra.

Na época de natal as bancas com guloseimas eram poucas, mas que traz grandes recordações, os famosos enfeites, que era uma caixinha arredondada, feita de cartolina e papel crepom cortado como bandeirinhas de são João, o conteúdo era amendoim torado, coberto com açúcar, que ficava todo branco, podia sem amendoim torrado, ou castanha de caju.

Ainda tinha as bancas de batidas, outras com roleta, outras com uma espécie de antecessor do cachorro quente, que era um pão cortado tipo torrada, que levava caldo de carne, salada de tomate e ao invés de alface, se colocava repolho verde.

O Cine Trianon, que ficava a onde esta hoje a caixa econômica, no natal e semana santa, tinha um filme que passou mais de 30 anos em cartaz, a paixão de Cristo, que era um filme velho, que não tinha nem áudio, mas nessa época chegava a ter quatro ou cinco sessões, filas e filas, e ninguém reclamava, quando a fita quebrava, ai era uma gritaria geral, e quando voltava era como um time fazendo um gol.

quando o calçadão da praça foi construído, pelo então prefeito de São Cristóvão, Romualdo Prado, ai da uma volta na praça virou um charme, jovens davam voltas e voltas, para ver e ser vistos, isso o movimento só começava depois que terminava a missa, antes de terminar a missa a praça ficava vazia, depois que terminava, ai sim começava as voltas e voltas, e muita gente arrumou sua alma gemia nessas voltas na praça da matriz.

O Cine Trianon, nas tardes de domingo virava uma espécie de programa de auditório, com apresentador, cantores, torcidas e tudo mais, o Cine Trianon era também usado como teatro, e local de eventos, varias cerimonias de formaturas, foram realizadas ali.

O clima na cidade era de alegria, mesmo com simplicidade, a cidade vivia um clima de felicidade, bares lotados, a onde se encontravam para beber um Chopp que era a bebida da época, e o lugar certo era o Bar Vitoria, do Paulo do Bar, lugar bastante disputado, que além de bar era local de memoráveis bailes, e vendia o picolé que refrescava a todos em épocas de calor.

O Natal em São Cristóvão, era uma época aguardado por todos, o comercio vendia muito, sapatos, roupas, bebidas, era uma época de fartura, dificuldades, mas muito feliz.

Texto baseado em relatos de Zé Aírton e Dodora







Direto da redação

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Jornalista e colaborador do portal, cobre as principais notícias do dia.

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