Convento de São Francisco e Igreja do Bom Jesus da Glória (Museu de Arte Sacra). São Cristovão –Sergipe-Brasil
Apesar da data de fundação (1657), a construção deste convento só foi iniciada em 1693, e os trabalhos parecem distribuir‐se por duas campanhas distintas, patentes na fachada da igreja, onde parte inferior pertence à tipologia em galilé de três arcos estabelecida em Ipojuca em meados do século XVII, enquanto a parte superior, com cornija interrompida e frontão de volutas, deriva já de evoluções da segunda metade do século seguinte.
Estas duas fases construtivas são ainda visíveis no aparente esgotamento da pedra usada nos arcos, pilastras e fenestração da metade inferior da fachada, substituída pelo reboco pintado usado para completar estes elementos na metade superior.
No interior da igreja, que também segue o modelo de Ipojuca, destaque‐se a grande Capela dos Terceiros (com interessante teto pintado) e zonas adjacentes, onde hoje funciona o Museu de Arte Sacra.
O claustro deste convento distingue‐se de todos os seus congéneres brasileiros pela proeminência única que nele assume a pedra, que reveste pilares e arcos, assim como o parapeito do andar superior. Para além da abundância do material, é ainda notável o seu tratamento, profusamente esculpido em enrolamentos, caneluras e almofadas triangulares, quadrangulares e retangulares, lisas ou com motivos vegetalistas, numa densidade decorativa ecoada pelo tratamento, também escultórico, do travejamento de madeira da cobertura.
Estas formas arquitetônicas e escultóricas parecem indicar que o autor (anónimo) deste claustro trabalhou a partir de gravuras europeias, mas a liberdade com que se afastou dos seus modelos indica que deverá ter tido um contato muito limitado com edifícios do (ou mais diretamente inspirados no) Velho Continente.
Por: Adailton Andrade






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