11 de janeiro de 1860
O Apa largou à 1 menos 12 da madrugada.
Muita chuva e mar, que levou o xadrez de diante de uma das rodas. 8 ¼ h altura da praia de Peba. Avista-se a enseada de Aracaju.
11 menos 20. O vapor de reboque saiu fora e falamos com o capitão do porto a vapor às 2 menos 20, atravessamos e o Apa rolou até ter água para entrar às 4 horas menos 20.
Atalaia de pau pintado de preto, falta de um farol, canal que dá uma grande volta e é tortuoso e estreito, havendo arrebentação de ambos os lados. Aracaju não é feio com seu grande coqueiral defronte na margem esquerda do Cotinguiba.
Desembarcamos às 6 e tanto, bastante Guarda Nacional de jaqueta e calças brancas e poucos de azul e com armas.
Matriz bonita, mas simples capela, grande indolência nos padres. Te Deum e cerimônias que nunca se acabavam, sermão medíocre do vigário de S. Cristóvão, Barroco, contudo o presidente disse que tendo desabado o telhado da matriz de S. Crist. ele exortou o povo, e tudo até meninos trabalharam, estando a igreja pronta para meu recebimento.
Ouvi ao mesmo Galvão que a cidade é agora salubre sendo o termo médio da longevidade maior que no Rio? 1:33 no Rio e 1 para 37 aqui?
Que a água de que bebo e é bem ruim vem do rio Pitanga daqui a 2 léguas indo barco buscá-la saindo a barca daqui.
O povo bebe das bicas públicas ou cacimbas onde a água é cor de xerez preferindo-a algumas pessoas, fervendo uma - particular de um Guerra cuja água é melhor porém toldada não perdendo esta, nem a outra, a cor pelo descanso.
Que agora é que botaram terra sobre a areia das ruas, não contavam com a chuva de hoje que formou bastante lama e que as ruas de Maroim acabaram de calçar-se por causa de minha visita, que o vigário daqui é moral sendo o único ilustrado o de S. Cristóvão.
11 de janeiro de 1860
Que a barra tornou-se agora muito funda, e nós passamos com efeito com 20 palmos de água. O Freitas Gomes, Juiz de direito das Laranjeiras, disse-me que o júri julga menos mal; porém não se mostrou satisfeito com o foro da comarca.
O presidente queixa-se da indolência do povo, talvez porque ele peca por precipitado.
Não foram canoas ao encontro, e as jangadas só aparecem pelo norte, e diz que o Aracaju não tem razão de reclamar pelo lado de poucas obras gerais. 12 de janeiro de 1860 6:30h saída; obra nova do quartel, arrematada pelo Dr. Guilherme Pereira Rebello, já recebeu 8 contos pelos alicerces com 8 palmos de profundidade, até encontrar terreno de piçarro, segundo disse o fiscal da obra, engenheiro Pereira da Silva, tem para receber 19 contos da 2a prestação pelas paredes até 30 palmos de altura.
Começou em janeiro de 59.
A pedra é calcária e lamelar, vindo de Sapucaí - 2 léguas daqui.
Perto de Maroim, tem melhor pedra, mais espessa. A 6 léguas de São Cristóvão, rio acima, margem esquerda, do (Itaoporanga?) há mármore com veios. Fonte-poço-de Maroim pública; água amarela; mas o gosto é melhor que a que bebi ontem de noite, ou quase bom, e dizem que é saudável, e pode guardar-se 30 dias.
Santo Antônio do Aracaju, antiga povoação de Aracaju, num alto a ¼ de légua, donde se goza de boa vista, vendo-se tabuleiros de salinas, que é gênero de bastante comércio neste rio.
A Capitania do Porto está em pequena casa. O capitão do Porto, capitão de fragata Moreira, é o dono do poço de água branca, e o único que planta verduras no Aracaju.
Tem casa e horta próprias, lamentando ter gasto aqui os contos que trouxe de Pernambuco, donde é filho. Cemitério num alto, menos mal situado, e com cerca só de paus.
Telheiro capoeira, a cerca tem grandes aberturas. Túmulo do dr. Barboza no fundo da matriz rodeado de flores num canteiro; o monumento de mármore é simples e bonito.
Obra do Palácio arrematada pelo Tenente Coronel Carneiro; os alicerces vão até encontrar terreno de areia dura, 12 contos, e a 2ª prestação até 25 palmos de altura da parede, 25 contos. A mesma pedra e apenas os alicerces começados, principiou em Março e Abril de 59.
Alfândega está de empréstimo na casa da mesa de rendas, porque a casa dela prepara-se para o baile, sendo a sala de dança, no edifício antigo do tempo do Barbosa, e a ceia no novo.
Tarde perto de 5 Aula de meninos regida por Ja Maria da Trindade - 70 matriculados - Não está muito bem escrito o livro de matrícula. 1º lê sofrivelmente livros, e menos mal em gramática - divide bem, e sabe tirar a prova real. Freqüenta 1 ano e 6 meses, mas já tinha estudado um pouco noutra escola, segundo diz a professora, que parece boa. 2ª lê sofrivelmente, gramática mal, divisão com 2 letras no divisor, porém mal ainda.
Sabem doutrina e as rezas, mas as explicações não são todas exatas, apesar da professora contentar-se com elas. Letra das meninas sofrível. Aula de história do Brasil. 15 matriculados. Não gostei.
Aula pública de meninos de Ignácio de Souza Valladão - matriculados 86. O livro de matrícula não parece bem-feito, e a letra do professor é sofrível. 1o lê sofrivelmente - gramática muito atrasado, não sabe dividir tendo errado toda a conta. Desde 19 de Fevereiro de 1859 aqui, tendo estudado 10 meses em Sergipe.
2o lê mal; gramática apenas começou - este que é o que melhor divide; mas vagarosamente, e não se lembra da prova real da divisão.
Doutrina mal, sabem as rezas, e o professor está muito atrasado parecendo ruim. Letra dos meninos pior que a das meninas. Este vai bem construído e compõe-se de um grande armazém, separado em 3 por duas arcarias, e a porta que vai até 20 e tantos palmos de fundo na praia, e 15 no baixo, mantendo-se fincado as últimas estacas do lado do rio, até 20 palmos abaixo do fundo, não as batendo, mas enterrando-as pela ponta aguçada que fazem oscilar, fincada no leito do rio.
O Inspetor parece inteligente e zeloso, ainda que ríspido demais com os empregados, sendo despronunciado por ocasião da falta de que o periódico Epocha o acusa - chama-se Herculano Pa de Sampaio genro do visconte de Cabo-frio.
O oleiro Cristóvão de Mendonça, morreu com 137 anos, e há trinetos ou tetranetos dele, morava para o lado do vale cuja abertura esgotando ao Norte do povoado, melhorou muito a salubridade do lugar. Casa da Câmara Municipal é própria e pequena. 11 horas. Tesouraria Geral - o Inspetor é surdo, mas o Presidente abona.
Escrituração atrasada, por falta de tomadas de contas, algumas de 20 anos, é melhor começar escrituração nova, e concluir a antiga quando for possível. Livros escritos limpamente como na Alfândega. Chove dentro, está aí de empréstimo, paga de aluguel 40$000 mensais. Corpo Policial.
O Comandante parece muito bom; mas o corpo tem falta de quase tudo apesar das repetidas instâncias daquele.
Não arranham; pouco mau, não se dando fardamento ao soldado ao assentar praça mas quando termina o ano; sapatos mal comprados na Bahia, por escolha da Tesouraria Provincial daqui; armas de 14 anos ou mais; tarimbas fixas; presos aglomerados no xadrez que aqui chamam de casa de detenção, indo depois para a cadeia de São Cristóvão, é reunido a este para a vara de Juiz Municipal.
Comem em mesquinha acomodação, poucos empregados; gastam 2 a 3 horas para expedir as malas. Ajudante General-delegado, ainda não tem livros para a escrituração apesar de tê-los pedido por diversas vezes; o oficial que serve inteiramente, parece pouco inteligente; capitão Manoel Agostinho da Silva Moreira. De tarde depois das aulas fui à repartição da Instrução Pública Provincial. Casa pequena, e este ramo de serviço está pessimamente montado na Província.
Há um colégio particular na Estância, com professores e casa pagos pela Província, espécie de empreitada.
Depois do almoço também visitei a tipografia Provincial, onde há 7 compositores e o prelo é ruim, dá 250 exemplares de 2 a 3 horas.
Diz o presidente que o estabelecimento é proveitoso para a província; mas creio que só lhe acarretará despesas.
O Dr. Alvares dos Santos da Bahia, aproveitou as férias para contratar a redação do Correio Sergipense, trabalho principal da tipografia Provincial durante a minha visita.
O administrador veio da mesa de rendas da Estância para dirigir a tipografia, onde já vence há anos. Nasbun argelino judeu; tem boa cara; mas olhos demasiadamente espertos; é vice-cônsul do Uruguai; está há 18 anos na Província e chegou ao Rio em 1840 onde esteve um ano.
Depois do almoço vi as obras do Hospital da cidade. Aproveitaram uma casa particular, destinando o Hospital para os marinheiros (imposto marítimo geral, e o hospital feito à custa da província) e corpo policial.
Ainda há que fazer antes que sirva, estando aí aquartelado um corpo da Guarda Nacional. 13 de janeiro de 1860 7:30h Quartel e hospital militares.
Ruas da Jabutiana; caminho de São Cristóvão - e dos Músicos. Tesouraria e mesa de rendas provinciais, obra de cadeia. De tarde dança dos Índios na barra dos Coqueiros. 9:40h baile.
Tem-se gasto com a cadeia, 12 contos, falta obra de 60 - 3 seções. Já há grades compradas; arrematante Tenente Coronel Carneiro, que como o da Alfândega José Valente de Queirós, e das outras obras, Rebello são os que arrematam todas chamando-os aqui Mauá Mac-Gregory e companhia.
1 de janeiro de 1860 São Cristóvão.
Aula de meninos, de Francisco José Gomes, 81 matriculados, a letra do livro é ruim, freqüência de mais de 40.
1o lê sofrivelmente, nada sabe de gramática. Sabe alguma coisa de regra de 3, e divide bem, sabendo a prova real. Está há mais de ano, já tinha estado noutra escola. 2o lê sofrivelmente, nada sabe de gramática.
O mesmo que o outro quanto ao tempo. 3o chamado por mim, lê menos bem que os outros - gramática idem - está principiando a dividir, subtraindo logo.
Sabe mal o Padre-nosso, e os mandamentos da lei de Deus. Explicação da doutrina quase nenhuma. Letra sofrível - Professor ruim. Aula de latim 15 matriculados, muito atrasados, professor menos acanhado. Aula de meninas; letra ruim do caderno de matrícula - do mapa consta que há 28 e a letra que não é da professora é boa. 1a lê sofrivelmente, pouca gramática, talvez por acanhada.
Não pode fazer a divisão. Desde outubro parando; mas já estivera na aula 3 anos - teve interrupção de 2 anos. 2ª lê menos bem; pouca gramática; não soube dividir. Está há 3 anos.
3ª lê mal; já multiplica. Está há 3 anos.
Doutrina - rezas quase nenhuma explicação, e a professora pouco sabe. Letra má.
Aula de meninos do Padre José Antônio Corrêa 42 matriculados, freqüência 30 e tantos.
1º lê quase que bem, gramática sofrível - o professor teima que o futuro do subjuntivo do verbo vir é vires; sabe alguma coisa de frações. Está há 4 anos.
2o idem, divide mal; sabe tirar a prova real. Responderam bem sobre doutrina. Letra sofrível. Desabou o telhado da Matriz no dia 12 de dezembro, e o povo construiu-o de novo; um servente que estava na cornija veio abaixo; mas não morreu apesar da altura não ser pequena.
A igreja é sofrível e mudou-se o sacramento para aí, em 1706. Misericórdia teve doação de terras em 1608 - três enfermarias sendo a melhor a dos militares no 1o andar. - 15 doentes sendo 8 mulheres; Igreja pequena.
São Francisco, de 1659, boa Igreja, bonita capela, mas não rica dos 3os. Rosário, Amparo, S. Miguel, Carmo e Convento com Igreja grande, tendo-se reparado o telhado do corpo da Igreja há 11 para 12 anos, e arrumado o da capela-mor de 1600 e tantos.
O Senhor das Misericórdias em construção, assim como a Conceição - ambas paradas.
De tudo Cemitério bem situado e sofrível aberto a 4 de setembro de 1859, já se enterraram 59. Praça do Mercado perto do rio, que estava seco mesmo para canoas.
O vapor vem até as Ilhotas a ¼ de légua e depois segue-se em canoa ou escaler; mas não no baixa-mar. Depósito de artigo bélico inútil. Quartel cadeia, com 108 presos e portanto muito mal acomodados.
Quase todos cozinham na prisão, e uma das enxovias tem horrível bafio; pouco seguro; livro das entradas, com pouca ordem.
Posição da cidade boa, num alto dominando por um lado, uma várzea extensa, boa água e fresca. Talvez tivesse sido melhor abrir canal reunindo o Vaza-barris ao Cotinguiba do que mudar a capital, inutilizando-se tantos edifícios.
O palácio onde estou e serve para a Câmara é sofrível. Ruas quase todas mal calçadas.
Hino à noite.
O caminho do Aracaju para São Cristóvão é bonito, depois do arco das Salinas - Campo-Grande, mato assombrado - Paxim-mirim; Paxim-assu carecendo ambos de pontes grandes para as cheias. Pitanga perto da cidade de São Cristóvão, Salinas perto da cidade além do Mercado.
14 de janeiro de 1860 Maroim Aula de meninas, 47 matriculadas, freqüência 30, a letra da professora é sofrível. 1ª lê sofrivelmente apenas gramática, sabe só multiplicar.
Está há menos de um ano tendo estado em outra aula; mas não sabendo nada, segundo a mestra. 2ª lê melhor, gramática quase nada; começa apenas a dividir.
Está uma das mais adiantadas, mal sabe o credo. Está há um ano, mas já tinha estudado antes, mas quase nada segundo a professora. Letra sofrível.
A professora parece não servir. Aula de meninos 113 matriculados frequência 56 a 60. 1o lê sofrivelmente, apenas começou gramática, mas a nada respondeu talvez por acanhado. Sabe só multiplicar.
Está há mais 2 anos freqüentando. 2o o mais adiantado lê sofrível, e nada respondeu sobre simples perguntas da gramática.
Dividiu bem e mal sabe a prova real. Está há mais de 2 anos quase 3. 3o lê mal, nada de gramática sabe só multiplicar. Está há quase 3 anos, mas já tinha estudado em outra aula; falta muito por ser a mãe pobre.
Quase nada sabem de doutrina e o professor creio que nada sabe de doutrina. Letra sofrível assim como a do professor, que parece pelo menos medíocre.
Saída para Maruim.
Pirajá largou às 6:20h, não pôde seguir pouco além do Porto das Redes, - povoação com algumas casas e com trapiche do Schramm. Maruim 8:30h - Igreja feita pelo Maruim etc.
Capela da boa hora, casa do Schramm. Casa da Câmara; depósito dos presos; escolas; o professor de latim não tem discípulos há mais de ano.
Água de cisternas e poços, boa na Taboca, engenho do irmão do Barros Pimentel a ¼ de légua; a do Siriry, a uma légua, é boa, mas o Galvão prefere a do Pitanga.
Feira aos sábados principalmente de gêneros alimentícios - à beira-rio. Conversa com o Juiz de Direito Tiburcio Ferreira Gomes - fator das notas do Dr. Ladisláo e Juiz de Paz da Capela - Escrivães. Larga a Galeota as 7:10h, mala da Corte pouco antes da praia do Trapiche. Pirajá mais embaixo do Porto das Redes por causa das voltas. 10:00h passamos para a Galeota Laranjeiras - belo aspecto com os archotes e luzes, bela recepção.
Água pior que a de Maroim comum. Ruas calçadas com pedras grandes como Maruim. 15 de janeiro de 1860 Laranjeiras Aula de meninas, 94 matriculadas, freqüência 60 a 70, a letra do livro que é da professora Possidônia Maria de Santa Cruz Bragança não é ruim.
1ª lê quase que bem, alguma gramática. Dividiu bem e sabe a prova real. Está há 2 anos e veio com princípios, conforme a professora. 2a lê sofrivelmente; pouca gramática.
Dividiu bem, e sabe a prova real. Está há 2 anos, veio com princípios. 3a lê sofrível, quase nada ou nada de gramática; divide mal e sabe a prova real. Está há 2 anos. Já tinha estudado antes.
Casa bem arranjada, trabalhos de bordado - receberam-me com um hino de estilo religioso, em francês. Sabem as rezas e doutrina mas não vejo que a professora seja muito capaz de dar explicações. Letra muito boa.
Aula de filosofia e geografia de Tito Augusto Souto de Archimede, 4 de filosofia e 4 de geografia; 2 presentes de que um de ambas e outro de geografia somente.
Respondem sofrivelmente sobre filosofia, e de geografia não parecendo, o professor não tem idéias muito exatas sobre a parte astronômica.
Aula de meninos de Manoel Cândido da Cunha Drummond Rocha, 71 matriculados 50 de freqüência. 1º lê quase que bem, não sabe gramática, dividiu bem por um método menos livre de engano e sabe a prova real.
Está há 5 anos, muito pobre - Manoel Francisco de Oliveira. 2o lê sofrivelmente, não começou gramática, dividiu bem e sabe a prova real.
3o lê quase que bem, nada de gramática, principiou a repartir. Está há mais de 4. Pobre como o 1o de quem é irmão. Pouco sabem da explicação da doutrina, porque mesmo o professor não a sabe.
O livro de matrícula mal-feito, e a letra do professor ruim, sendo a dos meninos sofrível.
Aula de latim - sofríveis os estudantes e professor. Aula de meninos de José Constituino Telles - Quadro em papel.
Matriculados 33 - 20 e tantos freqüentam. Letra do professor boa - Só um apareceu; o professor disse que não recebeu aviso.
Lê mal, e não sabe ainda contas. Está há um ano. A outra professora disse que não pudera reunir as meninas.
Cidade com bastantes habitantes, falam de 9 mil. Maroim 2 mil e tantos e 4 mil e tanto a freguesia, segundo o Vigário, que é bom, e o município 18 engenhos.
O vigário de Laranjeiras, apesar de ser hoje domingo, bebeu água depois de meia-noite; mas o coadjutor disse a missa conventual.
Segundo o vigário a cidade tem de 7 a 8 mil almas. A água melhor é de um poço público a pouca distância da cidade; não seca com nascença, há mais outro, e poços sem água de nascença, e bebem também do rio no baixa-mar.
Laranjeiras à margem do Cotinguiba; o Comandesoba ou Lendergun lança-se no Cotinguiba acima da cidade e torna salobra a água do rio.
Peixe petrificado nas lajes da calçada, perto da cancela do fundo da casa onde moro, que é a da Câmara acrescentada - a pedra veio da margem do rio.
Petrificação que me trouxe um homem, tendo sido dada por outrem, apanhada não sabe onde - parecia de um pitu - espécie de camarão - quebra-se caindo segundo ele me disse.
Igreja do Bom Jesus - bela vista - cemitério por detrás, ainda não se usa; enterra-se atrás da matriz. Saímos de Laranjeiras, às 9:00h.
Meteoro às 9h45; chegada ao Aracaju a 1h20 da madrugada. 16 de janeiro de 1860 6:20h - barra do Joranatuba. 8:45h Porto Grande 9:00h - 10:45h saída 11:00h canal 11:56h Ponunga. Fundeamos Aracaju às 6:45h Fretos muito ásperos do Ponunga, coroas - canal quase direito porém muito estreito e com pouca profundidade; falta de ponte defronte do povoado de Curvalino; tombadouro para o corte de madeira do lado direito do canal vindo ao longe.
Margens muito altas; alguns ou antes, tabibuias que dão paus de 100 palmos de comprimento. Necessidade de barca de escavação para o Ponunga.
Melhoramento da barra do Joparatuba facilitado por uma espécie de recife na foz do rio, dentro bastante fundo; já entraram sumagrinhos [sic]. No caminho para Joparatuba almecega selvagem, camomila nas margens do rio; caranguejo gruaçá que corre com grande velocidade.
Apicum com sal preparado pela natureza. Planta aquática que avança, de modo que dentro de 3 meses pode-se travessar por cima do rio a pé.
O canal já dá vazão a 8.000 caixas. Laranjeiras perto do engenho Cajus de Je Nunes que já foi deputado em 1827. 2.000 pães de 4 a 5 arrobas com 50 escravos.
A Guarda Nacional, com apenas a jaqueta branca a alguns dos oficiais do batalhão, que tem ao todo 900 praças, não se fardaram ainda. Uvas de Maroim; em Laranjeiras não há uma laranja; guabirobas de Aracaju, fruta diferente de guabiroba amarela e com bom gosto.
18 de janeiro de 1860 Engenho de Antônio Dias Coelho Mello.
Saí às 6:00h cheguei aí às 7:45h dando uma volta e passando duas vezes só para ver Itaporanga, onde domina completamente o Coronel de antigas Milícias, Domingos Dias Coelho Mello, pai do dono do engenho, sogro do Boto e tio do Senador Dinis. Antes de passar o Vaza-barris 002, atravessei os canaviais do irmão e genro do Diniz, Sylvio Anacleto de Souza Bastos, que estudou na Escola Central de Paris, assim como o irmão, dono do engenho Escurial onde estive.
Ambos plantam com arado, e nem isso compraram, pois a fazenda do Antônio Dias Coelho Mello é quase primitiva, fazendo no máximo 10 mil arrobas.
O irmão deste, José Rodrigues Dias Coelho Mello, mal encarado, passou por assassino do Dr. Ladislau secretário do Governo, no tempo do Joel Farias.
Depois de atravessar pela 2ª vez o Vaza-barris, passei pelo engenho Luisadongá do Boto. Tudo por aqui é gente do Boto, e ninguém pode fazer eleitores do distrito de Itaporanga, sem licença da família, sobretudo Domingos Dias Coelho Mello, que passa por boa pessoa, e é um velho forte de 70 e tantos, que ainda se segura muito bem a cavalo.
O filho Antônio está arredado da enredada. 9:35 - 11:10h - Alto do castigo, bonita vista do rio comprido água muito cristalina; ponte de pedra sobre o rio logo adiante, e para a direita do Mercado arruinada, exigindo que se acuda - passei por ela indo para o engenho Escurial, é estrada de Itaporanga.
As canas não são boas; as secas duram até 5 anos, as melhores que vi foram as da Paraíba; terra boa.
São Cristóvão 4.000 habitantes. Muita pobreza.
Um sobrado aluga-se por 3$000 ao mês; 3 ovos por vintém.
4:00h saí de São Cristóvão, vim pelo caminho do Mundé da Onça. É mais curto; porém muito acidentado. Alto do Joaquim Major, bela vista; este Joaquim era um desertor que fazia desse ponto atalaia 003, morando aí.
Passagens do Poxim; barca com corda presa a postes no rio - leva 10 minutos para ir e voltar. Depois da passagem a pouca distância começa a área até Aracaju na extensão de légua pequena, como dizem. Chegada a Aracaju às 6:45h; o caminho não deixou galopar tanto como o outro. A obra na passagem do Poxim é muito ordinária, antes atravessei numa ponte de pau sem guardas, apesar de estar alta, o Pitanga o Pononga quando vaza em cima já começa a encher embaixo de modo que tem sempre a mesma água.
O Japaratuba apresentou o ano passado mais de uma vez o fenômeno de vazar, encher, e tornar a vazar quase de repente.
Observaram, nessa ocasião, um nevoeiro do lado do mar.
19 de janeiro de 1860
O Apa largou às 8:45h 10:15h barra fora. 11:45h altura do Vaza-barris.
1:15h entrada da barra do Rio Real; no banco 6 braços sem a arrebentação costumada, que se via de ambos os lados. Às 7:58h, lugar dos mangues secos, trapiche da companhia Bahiana, margem direita, e pouco adiante entra o rio D’ Abbadia.
Currais. Às 4:57h fundeia o Apa na foz do Guariba.
Às 4:55h largou. 5:10h chegou.
20 de janeiro de 1860 Aula do professor Isaías Horácio de Souza. 55 matriculados e freqüentando 30 e tantos. Faltam utensílios, e antes de minha visita, liam só cartilha. Não escreveu 15 dias por falta de papel. 1º lê sofrivelmente, pouca gramática. Divide bem, sabe a prova real. Está há 7 meses, tendo estado em outra aula, ano e meio. 2o idem, divide menos bem e sabe a prova real. Está desde janeiro de 1859, já tendo estado aqui antes, talvez 1 ano.
Sabem as rezas mas pouca explicação. Todavia o professor é habilitado [pa da1] a sabendo que o julgar os vivos e os mortos do Credo, quer dizer os que estão em graça e os pecadores; parece melhor neste ponto que os outros.
Letra dos meninos menos boa, assim como a do professor no livro da matrícula. Internato - só tem 6 internos os demais são externos, 58 estudantes, casa mesquinha. Estudantes de geometria 2 fracos. 2 de latim sofríveis. 2 de francês bons, parecendo-me bom o professor - 1 de geografia pouco adiantado, o professor não é bom. Aula de meninas de Leopoldina J. F. da Rocha, 34 matriculadas.
1ª lê sofrivelmente, não sabe regras mas sabe toda a gramática de cor. Ainda não divide corretamente, sabe a prova real.
Está há 3 anos; já tinha estado noutra. 2a lê sofrivelmente, gramática idem. Não pode dividir talvez por atrapalhada. Sabem as rezas.
Mas a professora não sabe explicar como o professor Isaías antes foge de explicações; porque as ignora. Letra mais que sofrível.
Ponte da Cachoeira, 9 pegões sobre o Piauí, que é o que subimos para a cidade. Depois da confluência com o Piauitinga; aspecto largado do rio da Cachoeira.
Cemitério novo em construção, e velho onde ainda enterram e achei vacas pastando. Casa que serviu de lazareto para os bexiguentos, que foram 135 morando 11.
Chácara, ou antes sítio do Monsenhor Silveira, agora de outro - boas plantações de plantas úteis e até de flores - cafés muito carregados de flores, dando muito bem aqui, assim os vi também em São Cristóvão no caminho para o cemitério.
Igreja do Bonfim em obras, do Amparo. Boa água para beber, mas não é a mesma em todos os lugares, segundo me tem parecido, ou talvez dependa para melhoria, de ser dormida. Guarda Nacional mal organizada como em outros lugares; falta de instrutores.
Não conhecem o Guariba; mas um lugar Biriba. Boas laranjas. A matriz tem sido reparada.
O local da cidade parece-me excelente.
A ponte da Cachoeira começou em 1854 e acabou em 1857. De tarde Pensão ruim do Miranga. Aula de Florêncio; professor particular.
1º lê sofrivelmente, sabe alguma coisa de regra de 3, não sabe dividir, parece perturbado; gramática bem. 2 anos e tanto.
2o lê menos bem, gramática bem; dividiu bem, sabe a prova real. Sabem mal a doutrina.
É do mesmo tempo. Letra menos ruim.
Aula de meninas do mesmo.
As aulas são na mesma casa em 2 salas separadas, dividindo o tempo do professor, que parece bom.
1a menina lê sofrivelmente, não sabe ainda gramática, divide menos mal e conhece a prova real.
Está há 2 anos; mas muito doente. 2ª lê sofrivelmente, principiou gramática.
Divide menos; não se lembra da prova real.
Tem o mesmo tempo; é também doente. Sabem só as rezas e não muito bem.
Letra menos ruim.
Quartel e cadeia em pequena casa; paredes finas e malfeitas, começou em 1857.
Igreja do Rosário, obra quase nova, bem adiantada, com uma nave, e outras das meias-naves, tendo-se gasto de dinheiro só 5 contos; ficará o melhor templo.
Aula de Moreira Queiroz 28 matriculados, letra do professor sofrível, freqüência 20 e tantos. 1º lê sofrivelmente, principiou a regra depois de decorada toda a gramática, divide sofrivelmente, sabe a prova real.
2o lê menos bem; principia a regra como o outro; reparte só com uma letra no divisor.
O 1o está aqui há 8 meses, mas já esteve noutra aula; 2o há anos. O professor não sabe interrogar em doutrina sobre o credo, e parece atrasado nessa matéria como as alunos. Letra sofrível.
Aula da professora Adelaide Seraphina d’Avila Ribeiro - 46 matriculadas, 20 e tantos de freqüência, a letra da professora é sofrível. 1ª lê menos mal; muito pouco de gramática.
Divide bem, sabe a prova real. Está há 2 anos; já tinha estado noutra aula. 2ª lê menos bem que a outra; nada disse em gramática; divide mal; não se lembra da prova real.
Está há ano e meio, já tinha estudado. A professora também foge do que é explicação de doutrina; contudo poderá passar no geral das matérias se estava acanhada. Letra sofrível.
Padre Quirino vida exemplar curso de Seminário.
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