Sobre os Ombros do Barão: Devoção e Poder Na Festa de Passos na Cidade de São Cristóvão-SE Magno Francisco de Jesus Santos1 Resumo: Segundo o romeno Mircea Eliade o homo religiosus tem a necessidade de caminhar, de ir ao encontro do umbigo do mundo, do santuário (2001). Em Sergipe oitocentista, essa busca era direcionada a cidade de São Cristóvão, capital da pequena província até 1855. Todos os anos, ao se aproximar o segundo final de semana da quaresma, diferentes segmentos sociais rompiam com suas rotinas ordinárias e adentravam em um universo místico, maculado pela sacralidade. Era a sagrada semana dos Passos. Ao longo do século XIX a elite açucareira sergipana participou assiduamente da procissão do Senhor dos Passos na cidade de São Cristóvão. Fé e poder desfilavam pelas ruas estreitas e enladeiradas da velha capital, despertando o interesse dos demais devotos e estimulando disputas pela posse da charola. Esta investigação tem como propósito compreender a participação do Barão da Estância na procissão dos Passos a partir de seus sinais deixados ao longo do tempo. Trata-se de indícios de uma devoção que se perpetuou na memória coletiva da cidade. Partindo da reflexão acerca dos sinais produzidos ao longo do tempo e que foram deixados, intencionalmente ou não, temos o propósito de compreender a participação do Barão da Estância nas procissões do Senhor dos Passos na segunda metade do século XIX e início do século XX. Trata-se de um estudo que se debruça sobre os vestígios produzidos pelo homem e que sobreviveram às ações do tempo e da sociedade. São fragmentos de memória que provocam ecos de uma devoção. Para compreender essa atmosfera religiosa torna-se necessário adentrar no universo que envolvia a realização da procissão dos Passos, que ao longo do século XIX se tornou a maior solenidade religiosa da província de Sergipe. Romeiros pobres, caminhantes pelas estradas da província e senhores de engenhos do Vaza-Barris compartilhavam dos fiéis que lotavam as estreitas ruas de São Cristóvão. Um cenário teatral, receado de promesseiros, atores, cenas e platéia ávida por bênçãos. Os passos firmes dos devotos buscavam exasperadamente o encontro com o sagrado. Eles estavam adentrando em outra dimensão simbólica, em uma nova temporalidade, sob novo ritmo marcado pela agitação. Além da emoção e esperança, os devotos carregavam consigo ex-votos, imagens-testemunhos das benesses alcançadas. Eram os promesseiros que aguardavam ansiosos pelo segundo final de semana da quaresma para deslocar-se até São Cristóvão no intuito de depositar seus objetos de agradecimento pelo milagre do santo. Assim, ao longo de dois séculos, o claustro da Igreja da Ordem Terceira do Carmo foi transformado em uma verdadeira sala dos milagres, com inúmeros objetos de agradecimento espalhados nos dois pavimentos, representando a popularidade que a devoção alcançou em Sergipe. Palavras-chave: devoção, procissão, penitência.
Veja o texto completo aqui:
http://www.cih.uem.br/anais/2011/trabalhos/287.pdf
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