Pintor, dourador e
encarnador. Alforriado. Obteve sua formação artística inicial com José Joaquim
da Rocha, dourando molduras, encarnando imagens e eventualmente pintando
detalhes menores em painéis. Em 1793, pintou painéis na capela da antiga Sé de Salvador.
Reconhecendo seu talento artístico, o mestre Joaquim da Rocha decidiu enviá-lo
em 1794, às suas próprias expensas, para estudar em Portugal, onde Teófilo de
Jesus frequentou a Escola de Belas Artes e foi marcado pela obra de Pedro
Alexandrino de Carvalho. Retornou a Salvador em 1801, onde veio a substituir
seu mestre, falecido em 1807, em trabalhos de decoração de igrejas,
especialmente na Bahia e em Sergipe.
Considerado o maior
pintor ativo na Bahia na primeira metade do século XIX. Nos tetos, empregou a
técnica da perspectiva ilusionista, ao gosto barroco, embora não tenha sido um
mestre no gênero.
(Fonte:http://www.museuafrobrasil.org.br/pesquisa/indice-biografico/lista-de-biografias/biografia/2017/06/29/jos%C3%A9-te%C3%B3filo-de-jesus)
José Teófilo de Jesus deixa sua marca em Sergipe a partir da cidade de São Cristóvão,
sendo autor da pintura do altar mor da igreja Santa Isabel e de afrescos
(Pinturas de teto) nas igrejas São Francisco e Igreja Senhor dos Passos (Carmo
menor), é uma figura importante na construção da visão artística sacra durante
o século XVIII.
Dois documentos relatam o
pedido de José Teófilo para viajar a Lisboa, Portugal com o objetivo de estudar
arte, outro datado do mesmo mês e ano pede a Rainha D. Maria I, Baixa do posto
de porta bandeira do 4º Regimento de Artilharia da Bahia, para assim continuar
em Portugal aperfeiçoando a arte de pintor, é importante ressaltar que há certo
prestígio na imagem de José Teófilo, sendo o mesmo negro e com o regime de
escravatura vigente na época.
Assim diz uma das cartas:
O Desembargador presidente
e Deputados da mesa de inspeção nesta cidade da Bahia.
Fazemos saber que José
Teófilo de Jesus natural desta cidade, filho de Antônio Feliciano e de Josefa
Maria de Santa Anna, de idade de vinte e quatro anos, estatura ordinária,
moreno, cabelo preto atado e crespo, rosto redondo, sobrancelhas grossas, barba
feita, olhos grandes, lábios grossos; o qual requer transportar para a cidade
de Lisboa e a transitar nas suas dependências: não é comissário volante, nem
pessoa como tal compreendida nas leis desses: logo deve livremente ser admitido
na mesma cidade de Lisboa em conformidade com as reais ordens. Em fé do que lhe
mandamos para que apresente atestação. Bahia em mesa, 7 de julho de 1794.
Já em Portugal, José Teófilo de Jesus faz outra carta com
pedido de permanência em Portugal, assim diz a carta:
Um porta Bandeira da Bahia que serve há dez anos veio a esta
corte com licença para aperfeiçoar se na arte de pintor. Tem excedido a licença
e receia voltar para sua praça. Pede a sua baixa em atenção aos seus anos de
serviço para exercitar a sua arte.
15 de Dezembro de 1796
Segundo o pesquisador Kaio Alex, o pintor baiano em um trabalho na igreja de Divina Pastora, tomou uma queda que algum tempo depois, foi motivo da sua morte na sua terra.
Comentários
Postar um comentário