A QUEIMA DE FOGOS NA CIDADE, A HISTORIA DESSA TRADIÇÃO?

A festa do mastro em São Cristóvão, teve o seu resgate no inicio dos anos 80, quando um grupo formado por algumas pessoas conhecidas na cidade, tiveram a ideia de retornar uma antiga tradição do mastro (que era bem diferente de hoje), só que dessa vez com um formato totalmente mudado, já que o mastro durava todo o período junino no antigo formato, e a nova versão veio com um sistema de disputa pelos brindes doados a caceteira,  quando o mastro caia a disputa começava, e ao mesmo tempo jogavam fogos nos concorrentes, e fogos perigosos como limaias e buscapé, que além de uma propulsão forte, tem a taboca, que causa mais dano que o fogo em si..

A nova versão teve um fogueteiro que tinha vivência na cidade Estância, e trouxe todo o seu conhecimento para a produção aqui mesmo, e esse foi o grande motivo de tantos buscapé na cidade, hoje não temos fogueteiros na cidade, até onde sabemos, todos ao que parece vem de outros lugares.

Mas é inegável a evolução das coisas, e com as festas juninas não é diferente, quem não lembra das quadrilhas de ruas na cidade, hoje praticamente não existe, o festejo de famílias unidas, hoje não se vê com tanta frequência, nos dia atuais, é grande o numero de pessoas com intolerância a fumaça, aversão a fogos e seu barulho, temos a plena consciência que não podemos ficar preso a um olhar anacrônico.

E foi uma época de um verdadeiro bombardeio de Buscapé e Limaias, com o apoio do poder publico da época, hoje por inúmeros motivos a queima de fogos é vista com muita ressalva.

A festa tinha uma verdadeira preparação de guerra, já que tinha que colocar tapumes nas casas para que as tabocas não quebrassem as portas e janelas, queimar as paredes quase nenhuma casa escapava, ou seja, de alguma forma você ficava com as marcas da queima de fogos, ou prejuízo.

Para quem gostava era uma alegria, mas para que não gostava, era uma época de terror, já que nas noites, não se tinha sossego, a grande quantidade de fogos praticamente sufocava o medo e o pavor.

A rua do Rosário era a arena dos fogueteiros, mas uma ou outra casa, era premiada com um buscapé vadiando dentro de casa, ai o prejuízo ficava geralmente por conta de quem não tinha nada haver.

Com o passar do tempo, com o conhecimento e a responsabilidade, trouxe o entendimento a muitos que participavam daquela festa o que mudou muito a opinião de muitos, e se viu que já não cabia mais esse evento em ruas do centro histórico, tudo por conta da prevenção a acidentes, algo que não é incomum acontecer, já que a mistura fogos e explosão, pode a qualquer momento causar dano.

Com o rigor da fiscalização do IPHAN, que tem como missão preservar o patrimônio histórico da cidade, que herdamos a mais de quatrocentos anos, e não podemos correr o risco de jogar toda essa historia na fogueira.

Sem falar que hoje o entendimento de estudiosos que comprovaram o incomodo causado pelo estampido, a animais e pessoas com o espectro do autismo, e ainda tem as pessoas com sequelas da covid, que hoje é outra realidade, e a pandemia da covid ainda não acabou

O centro histórico não é um ambiente que cabe mais esse tipo de evento, o que se pode ter é uma área exclusiva para tal pratica, isso tudo depende do dialogo, que pode ser positivo ou negativo, até porque até onde sabemos os fogos não foram proibidos, mas sim o seu estampido, ou estouro.






 

Direto da redação

Direto da redação

Jornalista e colaborador do portal, cobre as principais notícias do dia.

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