ARTIGO

São Cristóvão e sua cessões territoriais – Douglas Leoni

Caro Cláudio, lendo a sua coluna de 31/03/2012, a respeito da decisão do juiz Edmilson Pimenta de que o Mosqueiro deva retornar ao domínio de São Cristóvão, além de ser descabida merece um resgate histórico que certamente a maioria dos sergipanos mais jovens não conhecem.

Uma parte da opinião pública, talvez inspirada em João Bebe Água, tenta passar a imagem de que Aracaju tem sido madrasta com a antiga capital desde que passou a ser sede político-administrativa em 1855, mudança motivada pela questão econômica do açúcar do vale do Cotinguiba. Mas o que temos visto ao longo desses últimos 157 anos é uma desmobilização mórbida das lideranças sancristovenses no sentido do desenvolvimento econômico do município. A cessão (e não perda!) de territórios para Aracaju é um desses reflexos. Vamos aos exemplos:

1954: O então prefeito Lourival Baptista cedeu Coroa do Meio, Atalaia e Aruana para Aracaju. Da indenização obteve um gerador elétrico para a sede municipal. Coincidência ou não essa aquisição catapultou sua eleição para deputado estadual em 1955 com o apoio maciço da cidade histórica. Aracaju por sua vez, passou a ter costa oceânica e anos mais tarde seriam descobertos poços petrolíferos na plataforma continental pela PETROBRÁS.

1989: Sem qualquer movimentação de bastidores durante a elaboração da Constituição do estado de Sergipe, as lideranças políticas de São Cristóvão assistem deitadas em berço esplêndido a anexação do litoral que ainda restava (Robalo, Náufragos, Mosqueiro e adjacências), além da Terra Dura (atual Santa Maria).

1990: Mais áreas passam para Aracaju: O povoado Aloque e uma parte da Jabotiana (a outra metade já pertencia à capital) incluindo-se o então recém-inaugurado Conjunto Santa Lúcia.

2012: É bom que a classe política da 4ª cidade mais antiga do país fique atenta aos limites entre o bairro Jabotiana e os povoados Várzea Grande e Cabrita. A expansão imobiliária iniciada em Aracaju agora avança sobre estas esquecidas comunidades rurais de São Cristóvão e o novo perfil de moradores de classe média mais ligados à capital do que a São Cristóvão certamente cobrará saneamento básico, coleta de lixo, vias pavimentadas e transporte público, demandas antigas das comunidades nativas que nunca foram cumpridas. Estará se avizinhando mais um polêmico debate sobre os limites territoriais entre Aracaju e São Cristóvão?

Em suma, São Cristóvão perdeu terras, royalties, retorno turístico litorâneo e arrecadação de impostos. Tudo por incompetência de suas lideranças políticas sem projetos e idéias. Nem o tombamento do Centro Histórico trouxe até o momento algum alento novo aos seus moradores.

Aracaju ao ter incorporado esses territórios fez vários investimentos. Devolver essas áreas traria problemas de continuidade de serviços, seriam necessários novos concursos e licitações que poderiam demorar muito tempo. Além disso. é preciso ouvir os moradores. Será que eles concordam em (re)passar para São Cristóvão?

Enquanto isso, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros experimentam um crescimento econômico a olhos vistos integrando-se de fato e direito à zona metropolitana de Aracaju através de indústrias diversificadas, construção civil, turismo e serviços.É pena que São Cristóvão não tenha seguido esse caminho e a cada dia se transforma no grande "patinho feio" do entorno da capital.

*Professor de Geografia da rede estadual


Fonte:Blog do Claudio Nunes

Direto da redação

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Jornalista e colaborador do portal, cobre as principais notícias do dia.

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