Thais Rabelo; Edite Rocha; Fernando Duarte
O poeta e o músico
Conforme a narrativa de Costa Filho (1920, p. 86): Frei José de Santa Cecília seria “versado nos philosophos e poetas da renascença até os seus contemporâneos”, cujo lirismo se expressava em versos e em música. Nas palavras de Prado Sampaio (1908/2012, p. 61) - remetendo à sua atuação de tocar violão e cantar, e provavelmente no seguimento da forte tradição de improvisar e tocar sem transcrever para a pauta músicas criadas que acompanhavam esses poemas em contextos mais informais - “era musico e poeta a um só tempo, adorado pelo povo, em cujo meio viveu cercado de justa popularidade, a revelar-lhe do pulpito os brilhantes dotes de um orador de seleção”.
Contudo, pouco restou de sua produção poética, como dois sonetos escritos pelo padre franciscano “polymorphico”: um escrito em 1849 e dedicado ao seu amigo Se- nhor Sebastião José Basilio Pyrrho, como alento pela morte de seu filho Affonso e o outro, também publicado no Correio Sergipense, dedicado a um antigo amigo, o Sr. Francisco Muniz Barretto, poeta baiano. Segundo o Frei Santa Cecília, a inspiração para escrever o Soneto lhe teria advindo após ler uma poesia de Francisco Muniz, intitulado A Mulher (CORREIO SERGIPENSE, 9 de Junho de 1855, p.4):
Conheço que calar os ais o pranto, Suffocar lá no peito huma saudade, Do frágil ser não cabe á humanidade, Do terno Pai não póde o valor tanto!...
Sei que te cobrio medonho manto
Da cruel que como féra austeridade,
Nos lares teos plantou fatalidade,
Sem hum Deos commover tão Justo, e Santo.
Perdeste, sim perdeste o carinhoso, Caro filho de ti porção mortal,
Q’o viver te fazia assaz ditoso....
Mas não chores, meu Pyrrho, he Lei fatal Lá no Céo elle he mais glorioso
Mas feliz se tornou, e imortal.
Fr. José de Santa Cecilia, Guardião (O CORREIO SERGIPENSE, 14 de Novembro de 1849, p.4).
Eu li teos versos xeios de ternura, Versos, que influo alta expressão;
Eu vi n’elles o meo Sèr, meo Coração, Sublimes pensamentos da natura.
Ah! Tu pintas mui bem alta Ventura Tu descreves depois negra aflicção, Hés Elmáno na doce inspiração,
Hés um Cysne d’amor, terna Candura.
Eu de longe nas azas da Saudade,
Te remétto, qual passo, um Sentimento, Sentimento, qu’é filho d’amizade.
Das Muzas esse dom, e pensamento, Que te déo lá do Céo a Divindade, Da Bahia te fez seo Ornamento.
Fr. José de Santa Cecilia Guardião (CORREIO SERGIPENSE, 9 de Junho de 1855, p.4).
Violonista, cantor e compositor, frei Santa Cecília é considerado particularmente na sua vertente de músico popular. Embora os exemplos musicais sejam escassos face às referências, os documentos musicográficos existentes da primeira metade do século XIX em acervos brasileiros com escrita violonística, apontam para o uso constante desse instrumento.
Do repertório composto de autoria de José de Santa Cecília, o Hymno Sergipano destaca-se ainda na atualidade do estado. No entanto, para além do hino da mudança da capital, este estudo permitiu identificar ainda outras composições de autoria deste compositor, até então desconsideradas, a saber: um manuscrito de uma valsa intitulada Raquel, atribuída ao Fr. Santa Cecília, bem como a letra do hino dedicado à Coroação de D. Pedro II e a letra do hino da mudança da capital.
Dentre as letras de suas canções – que possivelmente cantava e tocava com acompanhamento do violão – Prado Sampaio registrou as seguintes quadras:
Só quatro cousas podem Destruir uma paixão:
Novo amor ou uma ausencia. O desprezo, a ingratidão.
Novo amor inda não busco Porque tenho coração:
Sou sensível, inda soffro
O desprezo, a ingratidão
(SANTA CECÍLIA in SAMPAIO, 1908/2012, p.60).
Essas únicas duas estrofes, que tratam sobre paixão e desilusão amorosa, e que de alguma forma corroboram com a imagem irreverente ou ambígua do clero nessa época, nas palavras de Prado Sampaio, foi principalmente sua produção musical ligada à música popular (às canções) que o tornaram célebre num contexto que buscaria o corte com as heranças culturais da metrópole:
Nosso primeiro orador sagrado, orador que confiava aos arroubos do momento e aos azares do improviso as suas ternas e brilhantes imagens, e que ás nobres e elevadas energias do seu gênio de rebelde deve em particular a musica sergipana o ter-se desprendido da clássica musica portuguesa, e se haver humanizado entre nós, individualizada (SAMPAIO, 1908/2012, p. 61, grifo nosso).
Na interpretação de Prado Sampaio, a busca por uma identidade sergipanidade seria uma marca na produção do frei Santa Cecília. Oliveira Telles, referindo-se a Frei José de Santa Cecília, já refere que por não se importar com as glórias em torno de seu nome, também não se preocu- pou com a memória de seu nome no futuro, e por isso não se ocupou em deixar escritos seus sermões, que eram causa de forte repercussão da sua maestria, reconhecendo o improviso como uma característica marcante no processo criativo de José de Santa Cecília (TELLES, 1900/2013, p. 25). Se essa colocação for válida também para as criações musicais do frade, seria mais um fator que justificaria a escassez de referências sobre a sua atividade e atuação como músico, bem como a escassez de fontes musicais como as referidas composições mais ligadas aos gêneros populares.
Essa falta de informação documental a respeito de Frei José, se por um lado suscitou em torno dele grande curiosidade, desse lado pessoal e discursivo propagadas na memória oral, por outro, resultou praticamente no esquecimento de sua atuação como músico e, principalmente, como compositor. Algumas hipóteses podem ser levantadas para essa escas- sez de fontes, como a probabilidade de ter sido considerado como uma personalidade irreverente dentro de sua própria congregação, o que não geraria um acolhimento ou mesmo interesse para conservar os seus documentos pelos seus irmãos de ordem, depois da sua morte. Oliveira Te- lles (1900/2013, p. 66) destacando a genialidade de José de Santa Cecília e a popularidade deste franciscano, reforça que também era causa de inveja por parte dos doutos e que era odiado pelos colegas. Contudo, não nos atendo a outras possíveis causas para este lapso de informação, as pesquisas em acervos da Ordem dos Frades Menores – inclusive nos conventos de São Cristóvão e Penedo – seguem na expectativa de algum retorno.
Nas narrativas memorialistas, o “talento polimórfico” de Santa Cecília também se expressou na variedade de gêneros de suas composições. Enquanto a Prado Sampaio destaca-o como músico popular, “adoravel cantor de modinhas a acordar em noites enluaradas o silencio semi-claustral da cidade”, “musico e poeta num só tempo” (SAMPAIO, 1908/2012, 60), Costa Filho (1920, p. 80) o relembrou como compositor sacro, tendo ga- nhado fama ainda quando realizava seus estudos para padre, na Bahia: “como musico, foi excellente executor e componista tendo obtido no con- vento onde professou o renome de primeiro contrapontista e organista no conceito dos competentes. Como tal, compôs na Bahia muitas musicas sacras – hymnos, jaculatórias, ladainhas, tantunergos, etc.”. Costa Filho mencionou ainda um Tantum Ergo, escrito por Fr. Santa Cecília, e que levava seu nome.
Sua obra mais conhecida permanece ainda sendo o Hino de Sergipe, cujo objetivo da composição teria sido o de comemorar a independência política de Sergipe em relação à Província da Bahia. Foi publicado no Jornal “Noticiário Sergipano”, em 1836, sendo a letra do hino de autoria do Capitão Manoel Joaquim de Oliveira Campos e a música, composição do Frei José de Santa Cecília.

Fig. 5: Partitura musical do Hino de Sergipe
Outra obra de sua autoria foi o hino feito em homenagem à Coroação de D. Pedro II, ocasião para a qual fora dedicado. O hino foi oferecido ao então vice-presidente da Província, Joaquim Martins Fontes, e desse hino, chegou até nós a letra:
Santas Leis, valor, e Nome São nosso firme Brasão; C’roar veio nossa Gloria Monarcha, Constituição
Faustoso Dia/Hés o Primeiro Que feliz tornas/ O Brasileiro.
Sorrio no nosso Horizonte O mais luzido clarão: Ouviu-se a voz do Brasil “Monarcha, Constituição”
Faustoso dia &
Esse grito do Ipiranga Fez a nossa Exaltação Hoje firmão nossa Gloria Monarcha, Constituição.
O’ de Julho vinte e três, Hés de Eterna duração, Só tu deste o que faltava, Monarcha, Constituição.
Serás sempre Glorioso Na Brasilea geração: Iltimárão nossos malles Monarcha, constituição.
Troféos erguidos do Throno Ao immenso voarão;
Foi o Céo, qu’ao Brasil deo Monarcha, constituição.
Já provamos áureos Dons De Liberdade, e União; Ninguem possue como nós,
Monarcha, constituição.
Por seu muito Repeitador, Amigo e Capellão: Fr. José de Santa Cicilia, Franciscano (O CORREIO SERGIPENSE, 9-12 de Setembro de 1840).
O refrão – escrito como “Faustoso etc.” – sempre se articula entre as estrofes. Frei José de Santa Cecília escreveu também o Hino da mudança da capital, segundo relatou o Correio Sergipense (13 de Junho de 1855, p.4), cuja letra foi apresentada na íntegra pelo jornal.
Hymno q’ dedica o abaixo assignado ao Exm. Snr. Presidente, o Dr. Ignacio Joaquim Barbosa, pelo plausível motivo de ser confirmada a Capital da Provincia de Sergipe no Aracajú.
1o - Vem, ó Dia majestoso, Vem, ó Dia d’alegria;
Só tu foste, só tu hés,
De Sergipe um almo Dia.
CÔRO
O’ Dia feliz,
Tão consagrado, Hés mimo do Céu Por Jove dado.
2o - Entre as luzes que derramas, Que tudo prazer inspira,
Canta o Nome de Barbosa,
Qu’ em ti vive, em ti respira.
O’ Dia feliz &c.
3o - Hés origem, firme centro Da sergipana ventura, Despontou na tua Estrêlla, Nossa gloria mais futura.
O’ Dia feliz &c.
4o - Mensageiro da Concordia, O foste da Liberdade;
Tu vieste aos Sergipanos
Pelas mãos da Divindade.
O’ Dia feliz &c.
5o - A Provincia rica e bela Erguêo-se no novo mundo, Tendo a baze lá no Tróno Do Augusto Rei Segundo.
O’ Dia feliz &c.
6o - De Sergipe tu previste Altos dons, ricos tesouros,
Q’ a sombra da dòce paz Lhe derrama Eternos louros.
O’ Dia feliz &c.
7o - Este sol he mais fagueiro, Mais risonho e refulgente; Porque as glorias duplicaste Da Provincia Independente.
O’ Dia feliz &c.
8o - Os Sergipanos são filhos D’adhesão, ternura, amor; Por isso o Céo lhes mandou Hum Chefe Conservador.
O’ Dia feliz &c.
9o - Sergipanos cantai todos Da pátria vosso explendor, Entre as palmas do triunfo, Viva o nosso Conservador.
O’ Dia feliz &c.
10o - Voará sempre faustòzo O Nome do Presidente,
Que vos fez um Povo grande No Brasil independente.
O’ Dia feliz,
Tão consagrado,
Hés mimo do Céu
Por Jove dado.
Por Seu muito reverente Subdito, e affectuoso Servo.
Fr. José de Santa Cecilia. (CORREIO SERGIPENSE, 13 de Junho de 1855, p.4).
O hino foi interpretado pelo próprio frei Santa Cecília, na ocasião que celebrava a mudança da capital, no dia 17 de Março de 1855.
Terminado o festim o muito Reverendo Padre Mestre Frei José de Santa Cecilia, homem distincto por seo talento e vir- tudes, acompanhado da banda de musica cantou o hymno abaixo transcripto, que dedicou á S. Ex., sendo tambem de sua composição a respectiva musica. Alem d’esta poesia elle recitou, durante o festim, vários improvisos, cheios de estro sublime, de pensamentos profundos e brilhantes (CORREIO SERGIPENSE, 13 de Junho de 1855, p.4).
A mudança da capital deixaria uma marca na cidade de São Cristóvão. Segundo Serafim Santiago, após a mudança da capital, muitos prédios e edificações de São Cristóvão caíram em ruína (1920/2009, p. 108-109). O autor lastimou o fato de que a população sancristovense não se posicionou contrária à permuta: “a população de São Christovão, [...], cujas tradições deviam estimular o patriotismo de seus habitamtes, ficou indifferente ao attentado e consentiu facilmente na realização dos planos officiaes” (1920/2009, p. 104-105). Nesse ambito se enquadra a posição de frei Santa Cecília, aparentemente favorável à mudança, ao escrever um hino para a ocasião. Sua atitude, porém, não parece ter sido levantada pelos conterrâneos, ou, ao menos, não foi encontrada no ambito da Imprensa, nenhuma matéria que abordasse essa questão política.
Uma outra composição de Frei José de Santa Cecília, que foi identificada recentemente, é o manuscrito do acervo do Museu da Polícia Militar de Sergipe, intitulada Valsa “Rachel”. A fonte consiste em um arranjo do então mestre de música da Banda do Corpo Policial, o maestro Francisco Avelino (1848-1914)7. Produzida no entre séculos, a fonte não possui indicação de data, possuindo a identificação do local a cidade de Aracaju. O manuscrito, autógrafo de Francisco Avelino, está composto por treze partes cavadas e trata-se de um arranjo para banda de música.

Fig. 6: Parte cavada da requinta, da valsa Rachel
Não nos deteremos na análise musical sobre as composições de Fr. José de Santa Cecília neste trabalho, porém, para uma melhor compreensão acerca de valsa desvendada, elencamos as principais informações da obra:

TABELA 1: Quadro com informações técnicas sobre o manuscrito da valsa Rachel
Esta é a única versão da música Rachel que encontramos até o momento, portanto, não é possível identificar até que ponto o arranjador, Francisco Avelino, interferiu na obra original. Tampouco é possível afirmar se teria tido contato com a melodia por meio de outra fonte manus- crita ou somente por meio de transcrição da mesma, ou eventualmente, por transmissão oral do que permanecia ainda na memória coletiva sancristovense. No entanto, o achado é muito significativo, tanto por trazer à tona uma obra do repertório sergipano do século XIX, como por eviden- ciar repercussões da literatura musical do frei José em seu contexto.
A banda do corpo policial era corporação mais requisitada da província, ao longo do séc. XIX e pertencia ao governo provincial. Além disso, ape- sar de não haver informação sobre a data do manuscrito, sabemos que o mesmo foi produzido após a morte do Fr. Santa Cecília, o que também evidencia sua manutenção nas práticas musicais. Porém, é interessante notar que nenhum dos memorialistas consultados mencionou a valsa Raquel, ou qualquer outra composição do frei, de forma mais específica, salvo o Hino de Sergipe e o Tantum Ergo. A questão permanece, portanto, uma incógnita ainda a ser pesquisada. De acordo com o Costa Filho (1920, p. 86), os escritos de Frei José de Santa Cecília, entre os quais: sermões e outros trabalhos inéditos ficaram sob a guarda do padre Gonçalves Barrozo (1821-1882). No entanto, não houve deles mais notícia, particularmente pela ocupação do cargo do padre secular que viria a substituir Frei Santa Cecília em seus sermões, os quais também ganharam na província grande fama.
Considerações finais
A partir das fontes consultadas, o perfil de Frei José de Santa Cecília é narrado como uma figura irreverente, autêntica, culta e de notável inteligência, cujas características pessoais também influenciaram seu fazer musical que o projetaram como músico popular, amante das canções, das modinhas e dos improvisos, mas também como compositor requisitado para repertórios de cunho oficial, como o Hino de Sergipe, o Hino da Mudança da Capital e o Hino em homenagem à Coroação de D. Pedro II. Isso denota o reconhecimento por seus contemporâneos, além de uma forte articulação política no contexto sergipano. Conservador na política, livre em suas escolhas, frei José de Santa Cecília foi uma figura popular, acessível, mas também – principalmente pela erudição e pelos talentos – contava com muitas amizades entre os mais abastados e influentes da Província e que demonstraram em sua amizade grande honra.
O levantamento nos permitiu ampliar nosso conhecimento em torno do frei José de Santa Cecília e, de modo especial, a maneira como permaneceu na memória dos autores aqui estudados. Desse modo, respondendo ao questionamento lançado no início deste trabalho sobre quais memórias acerca do frei José de Santa Cecília se conservam nas fontes documen- tais e hemerográficas e como sua atividade musical pode ser conhecida por meio dessas fontes, percebemos que todos os autores que sobre ele escreveram mantém opiniões muito aproximadas sobre o seu viés religioso: um homem notável mas também de comportamento irreverente. É possível identificar a partir de tais fontes que José de Santa Cecília foi um excelente orador sacro, uma pessoa de grande criatividade, o que lhe permitiu destacar-se tanto no púlpito, quanto nas artes líricas da poesia e da música. Por um período, logo após seu retorno a São Cristóvão, no final da década de 1830, passou por momentos de tensão entre seus con- terrâneos, ao dirigir-lhe palavras de críticas, carregadas de teor político, o que lhe ocasionou instabilidade. Os tempos de tensão parecem ter sido relegados ao silêncio a partir de 1850, quando escreveu matérias e poesias muito mais brandas para os periódicos da época, e por ter usufruído de boa aceitação pública. Sua relação com os confrades é ainda ambígua na pesquisa, mas, alguns autores indicam uma relação de inveja e contenda por parte de alguns franciscanos.
A pesquisa também evidenciou a dificuldade de acesso às fontes diretamente ligadas ao frei. De modo especial nos referimos à produção do mesmo: partituras de suas composições, manuscritos de seus discursos, poesias. Observamos que, mesmo as fontes coevas mostram dificuldade em levantar esses documentos, apresentando fatos de caráter genérico. O próprio Luiz José da Costa Filho, em seu texto sobre o Fr. Santa Cecília, escrito em 1918 e publicado em 1920, observou essa ausência (COSTA FILHO, 1920, 81). Atualmente, não identificamos trabalhos específicos sobre o Frei José de Santa Cecília no âmbito da produção acadêmica recente e, mais particularmente, no campo da Música. Principalmente no que tange à produção do frei, as fontes hemerográficas revelaram uma fonte informacional de grande valia, como testemunhas de seu tempo. Tais fontes registraram poesias e letras de músicos que o religioso publicou.
A investigação nos arquivos musicais nos permitiu encontrar uma fonte musicográfica importantíssima e, em nossos dias, desconhecida: a valsa Raquel. Mas o silêncio em torno da sua vertente musical permanece mais destacada se considerarmos tratar-se de um padre reconhecidamente talentoso também como músico e compositor. Permanecem algumas questões em aberto nas narrativas memorialistas e registros hemerográficos: teria este compositor criado e escrito música sacra? Ou, seria ainda possível encontrar esse referido Tantum Ergo?
Esse trabalho não permite um olhar conclusivo sobre este tema que demonstra várias pontas para prosseguir a pesquisa. De fato, esperamos encontrar outras fontes musicográficas, sobretudo, relativas ao frei José de Santa Cecília e sua produção. Os achados corroboram o que se tem escrito sobre o franciscano, evidenciando obras de qualidade expressiva, cheias de ímpeto, revelando assim como o tal caráter irreverente, de um espírito de artista em um religioso discreto. Almejamos que este estudo contribua para a importância de Frei José de Santa Cecília no panorama cultural e artístico cristovense, servindo de fonte para aqueles que, como nós, esperam contribuir para a memória do estado de Sergipe.
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